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Hino a São Lourenço (São José de Anchieta)


Hino a São Lourenço, retirado do "Auto representado na festa de São Lourenço", de são José de Anchieta



 PRIMEIRO ATO

(Cena do martírio de São Lourenço)
Cantam:

Por Jesus, meu salvador,
Que morre por meus pecados,
Nestas brasas morro assado
Com fogo do meu amor 
Bom Jesus, quando te vejo
Na cruz, por mim flagelado,
Eu por ti vivo e queimado
Mil vezes morrer desejo 
 
Pois teu sangue redentor
Lavou minha culpa humana,
Arda eu pois nesta chama
Com fogo do teu amor.
 
O fogo do forte amor,
Ah, meu Deus!, com que me amas
Mais me consome que as chamas
E brasas, com seu calor. 
 
Pois teu amor, pelo meu
Tais prodígios consumou,
Que eu, nas brasas onde estou,
Morro de amor pelo teu.


Fonte: Auto representado na festa de São Lourenço
 José de Anchieta 

Poema: A Maria Imaculada (Santa Elisabete da Trindade)

 



A Maria Imaculada (8 de dezembro de 1897)


Oh, guarda-me sempre casta e pura,


Preserva-me de toda a falta,


Vela com cuidado sobre meu fraco coração


Para que agrade ao Bem-Amado Salvador.


Que se pareça a um jardim solitário,


Que Jesus se agrade deste canteiro,


Que se digne visitá-lo muitas vezes,


Oh, que Ele aí permaneça constantemente,


Que Ele seja o Rei, o único apoio,


O Esposo enfim, o divino Amigo,


E que visitando-o a toda a hora


Nela faça a sua demora.


Porque meu coração está sempre com Ele,


E noite e dia pensa sem descaso


No Celeste e divino Amigo


A quem queria demonstrar sua ternura.


Também se eleva a Ele de desejo:


Não morrer, mas longamente sofrer,


Sofrer para Deus, dar-Lhe sua vida,


Rezando pelos pobres pecadores.


Oh, tal é minha santa inveja!


Da imortal e santa Pátria,


Virgem bendita, Ó doce Maria,


Tu velarás sobre meu débil coração.


Tu o guardarás sempre casto e puro


Preservando-o de toda a falta


A fim de que agrade a meu doce Salvador.

Poesia: À Virgem Maria (Pe. Sousa Caldas)

 



Pe. Sousa Caldas (Antônio Pereira de Sousa Caldas), sacerdote, poeta e orador sacro, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24 de novembro de 1762, e faleceu na mesma cidade, em 2 de março de 1814. É o patrono da cadeira n. 34, por escolha do fundador Pereira da Silva.

Poesia: À Virgem, ao meio dia (Paul Claudel)

 


Um dos maiores poetas do século XX foi Paul Claudel, um diplomata francês que se converteu ao catolicismo, por graça de Nossa Senhora, certa vez em que assistia – sem fé – a uma Missa natalina na catedral de Nôtre-Dame de Paris. Maria tocou-lhe o coração, alcançando-lhe do Espírito Santo a graça da fé, e o meteu para sempre no coração de seu Filho Jesus. Claudel tornou-se um grande católico e foi um dos maiores poetas e dramaturgos do seu século. A graça da sua conversão ficou-lhe tão gravada na alma que, sempre que podia, dava uma passada por Nôtre-Dame, entrava na catedral e ficava a olhar para a imagem da Senhora, da Mãe que o salvara.


Poesia: Ave Maria (Fernando Pessoa)

 


AVE-MARIA
                        À minha mãe


Ave Maria, tão pura,
Virgem nunca maculada
Ouvide a prece tirada
No meu peito da amargura.
Vós que sois cheia de graça
Escutai minha oração,
Conduzi-me pela mão
Por esta vida que passa.
O Senhor, que é vosso filho
Que seja sempre conosco,
Assim como é convosco
Eternamente o seu brilho.
Bendita sois vós, Maria,
Entre as mulheres da terra
E voss'alma só encerra
Doce imagem d'alegria.
Mais radiante do que a luz
E bendito, oh Santa Mãe
É o fruto que provém
Do vosso ventre, Jesus!
Ditosa Santa Maria,
Vós que sois a Mãe de Deus
E que morais lá nos céus
Orai por nós cada dia.
Rogai por nós, pecadores,
Ao vosso filho, Jesus,
Que por nós morreu na cruz
E que sofreu tantas dores.
Rogai, agora, oh mãe querida
E (quando quiser a sorte)
Na hora da nossa morte
Quando nos fugir a vida.
Avé Maria, tão pura,
Virgem nunca maculada,
Ouvide a prece tirada
No meu peito da amargura.
                                  

Fernando Pessoa

Poesia: Porque te amo, Maria (Santa Teresinha do Menino Jesus)

 


 

Porque te amo, Maria

Santa Teresinha do Menino Jesus

 

Quisera cantar, Maria, porque te amo,
Porque, ao teu nome, exulta meu coração
E porque, ao pensar em tua glória suprema,
Minh’alma não sente temor algum.
Se eu viesse a contemplar o teu fulgor sublime
Que supera de muito o dos anjos e santos,
Não poderia crer que sou tua filha
E, então, diante de ti, baixaria meus olhos.

 

Para que um filho possa amar sua mãe,
Que ela chore com ele e partilhe suas dores…
Pois tu, querida Mãe, nestas plagas de exílio,
Quanto pranto verteste a fim de conquistar-me!…
Ao meditar tua vida escrita no Evangelho,
Ouso te contemplar e me acercar de ti;
Nada me custa crer que sou um de teus filhos,
Pois te vejo mortal e, como eu, sofredora.

 

Quando o anjo te anunciou que serias a Mãe
Do Deus que reinará por toda a eternidade,
Eu te vi preferir, Maria – que mistério! –,
O inefável, luzente ouro da Virgindade.
Compreendo que tua alma, Imaculada Virgem,
Seja mais cara a Deus que o próprio céu divino;
Compreendo que tua alma, Humilde e doce Vale,
Possa conter Jesus, o grande Mar do Amor!…

 

Como te amo, Maria, ao declarar-te serva
Do Deus que conquistaste por tua humildade,
Tornou-te onipotente essa virtude oculta.
Ela ao teu coração trouxe a Trindade santa
e o Espírito de Amor, cobrindo-te em sua sombra,
O Filho, igual ao Pai, encarnou-se em teu seio…
Inúmeros serão seus irmãos pecadores,
Uma vez que Jesus é o teu primeiro filho!…

Ó Mãe muito querida, embora pequenina,
Trago em mim, como tu, o Todo-Poderoso
e nunca tremo ao ver em mim tanta fraqueza.
O tesouro da Mãe é possessão do Filho,
e sou tua filha, ó Mãe estremecida.
Tua virtude e amor não são, de fato, meus?
E quando ao coração me vem a Hóstia santa,
Teu Cordeiro, Jesus, crê que repousa em Ti!…

 

Tu me fazes sentir que não é impossível
Os teus passos seguir, Rainha dos eleitos,
Pois o trilho do céu nos tornaste visível,
Vivendo cada dia as mais simples virtudes.
Quero ficar pequena ao teu lado, Maria,
Por ver como são vãs as grandezas do mundo.
Ao ver-te visitar a casa de Isabel,
Aprendo a praticar a caridade ardente.

 

Aí escuto absorta, ó Rainha dos anjos,
O canto celestial que jorrou de teu peito;
Ensinas-me a cantar os divinos louvores
E a só me gloriar em Jesus Salvador.
Tuas frases de amor caíram como rosas
Que iriam perfumar os séculos futuros.
O Todo-Poderoso em ti fez maravilhas,
Cujas bênçãos, na prece, quero usufruir.

 

Quando o bom São José ignorava o milagre
Que intentavas velar com tua humildade,
Tu o deixaste chorar aos pés do Tabernáculo
Que esconde o Salvador e sua eterna Beleza!…
Maria, amo esse teu eloqüente silêncio,
Que soa para mim como um doce concerto,
Melodia cantando a grandeza e o poder
De um coração que espera ajuda só dos céus…

 

E, mais tarde, em Belém, ó José e Maria,
Rejeitados os vi por todas as pessoas.
Não os recebeu ninguém em sua hospedaria,
Que só os grandes acolhe e não pobres migrantes…
Para os grandes o hotel, portanto é num estábulo
Que a Rainha do céu dá à luz o Filho-Deus.
Minha querida Mãe que acho tão amável,
Como te vejo grande em lugar tão pequeno!…

 

Quando vejo o Eterno envolvido em paninhos
E ouço o fraco vagir desse Verbo divino,
Ó Mãe querida, não invejo mais os anjos,
Porquanto o Onipotente é meu amado Irmão!…
Como te amo, Maria, a ti que, em nossas terras,
Fazes desabrochar essa divina Flor!…
Como te amo escutando os pastores e os magos
Guardando, com amor, tudo no coração!…

 

Amo ao ver-te também, entre as outras mulheres,
Os passos dirigindo ao Templo do Senhor.
Amo-te apresentando o nosso Salvador
Àquele santo ancião que O tomou em seus braços.
Em princípio, sorrindo, escuto o canto dele,
Logo, porém, seu tom me faz cair em pranto,
Pois, sondando o porvir com olhar de profeta,
Simeão te apresentou uma espada de dores.

 

Rainha do martírio, até a noite da vida
Essa espada de dor traspassará teu peito.
Cedo tens de deixar o teu país natal,
Fugindo do furor de um rei cheio de inveja.
Jesus cochila em paz nas dobras de teu véu;
José te vem pedir para partir depressa
E logo se revela tua obediência,
Partindo sem atraso ou considerações.

 

Lá na terra do Egito, ó Maria, parece
Que manténs, na pobreza, o coração feliz.
Uma vez que Jesus é a mais bela das pátrias,
Com Ele tendo o céu, pouco te importa o exílio…
Mas, em Jerusalém, uma amarga tristeza,
Como um imenso mar, vem inundar teu peito:
Por três dias Jesus se esconde de teu amor;
Agora é exílio, sim, em todo o seu rigor.

 

Tu O descobres enfim, e alegria te inunda
Vendo teu belo filho encantando os doutores
E lhe dizes: “Por que, meu filho, agiste assim?
Eis que eu mais o teu pai chorando te buscávamos!”
Então o Filho de Deus responde (oh! que mistério!)
À sua terna Mãe que os braços lhe estendia:
“Por que me procurais?… Não sabeis, talvez,
Que das obras do Pai devo me ocupar?”

 

O Evangelho nos diz que, crescendo em saber,
A Maria e José, Jesus obedecia.
E o coração me diz com que infinda ternura
O Menino a seus pais assim se submetia.
Só agora compreendo o mistério do templo:
Palavras de meu Rei envoltas em mistério.
Teu doce Filho, Mãe, quer que sejas exemplo
De quem O busca em meio à escuridão da fé.

 

Já que o supremo Rei do Céu quis que sua mãe
Se afundasse na noite e em angústias interiores,
Então, Maria, é um bem sofrer assim na terra?
Sim, sofrer com amor é o mais puro prazer.
Tudo quanto me deu Jesus pode tomar;
Dize-lhe que comigo nunca se preocupe…
Que se esconda, se quer; consinto em esperar
Até o dia sem poente em que se apaga a fé.

 

Sei que, em Nazaré, ó Mãe, cheia de graça,
Longe das ambições, viveste pobremente,
Sem arrebatamento ou êxtase e milagre
Que te adornasse a vida, ó Rainha do Céu.
Na terra é muito grande o bando dos pequenos
Que, sem temor, a ti elevam seu olhar.
É o caminho comum que te apraz caminhar,
Incomparável Mãe, para guiá-los ao céu!

 

Enquanto espero o céu, ó minha Mãe querida,
Contigo hei de viver, seguir-te cada dia.
Contemplando-te, Mãe, sinto-me extasiada
Ao descobrir em ti abismos só de amor.
Teu olhar maternal expulsa meus temores,
Ensina-me a chorar e também a sorrir.
Em vez de desprezar gozos puros e santos,
Tu os queres partilhar, digna-te a abençoá-los.

 

Em Caná, ao notar a angústia do casal
Que não sabe ocultar a falta de vinho,
Preocupada contas tudo a teu Jesus,
Esperando de Seu poder a solução.
Parece que Jesus recusa teu pedido
Dizendo: “Isto que importa a mim e a ti, Mulher?”
Mas, lá em seu coração, Ele te chama Mãe
E por ti Ele opera o primeiro milagre…

 

Pecadores, um dia, ouviam a palavra
Daquele que no céu deseja recebê-los.
Junto deles te vejo, ó Mãe, sobre a colina,
E alguém diz a Jesus que tu pretendes vê-Lo.
Então o Filho de Deus, diante da turba inteira,
Mostrou a imensidão de Seu amor por nós
Dizendo: “O meu irmão e minha Mãe quem é?
Não é outro senão quem faz minha vontade”.

 

Virgem Imaculada, a mais terna das mães,
Ao escutar Jesus tu não ficaste triste
Mas te alegraste, pois Ele nos fez saber
Que nossa alma, aqui embaixo, é Sua família.
Tu te alegras por ver que Ele nos dá Sua vida,
E os tesouros sem fim de Sua divindade!…
Como, pois, não te amar, ó Mãe terna e querida,
Ao ver tamanho amor e tão grande humildade?

 

Tu nos amas, ó Mãe, como Jesus nos ama
E consentes, por nós, em afastar-se dele.
Amar é tudo dar; depois, dar-se a si mesmo.
Isto provaste ao te tornares nosso apoio.
Conhecia Jesus tua imensa ternura
E os segredos de teu coração maternal.
Ele nos deixa a ti, do pecador Refúgio,
Quando abandona a cruz para esperar-nos no céu.

 

Tu me apareces, Mãe, no cimo do Calvário,
De pé, junto da cruz, qual padre ao pé do altar,
E ofertas, para aplacar a justiça do Pai,
Teu querido Jesus, esse doce Emanuel…
Um profeta já disse, ó Mãe tão desolada:
“Não há dor neste mundo igual à tua dor”!
Ficando aqui no exílio, ó Rainha dos mártires,
Todo o sangue que tens no coração nos dás.

 

O teu único asilo é a casa de São João;
Filho de Zebedeu deve substituir Jesus!…
É o detalhe final que vem nos evangelhos
E não se fala mais da Rainha dos céus.
Mas, Mãe querida, teu silêncio tão profundo
Não revela tão bem a nós que o Verbo eterno
Quer cantar Ele próprio o louvor de tua vida
Para poder encantar teus filhos lá no céu?

 

Logo, logo ouvirei essa doce harmonia;
Cedo irei para o céu a fim de lá te ver.
Tu que, no amanhecer da vida, me sorriste,
Vem me sorrir de novo, ó Mãe! Já se faz noite!…
Não tenho mais temor do brilho de tua glória;
Contigo já sofri, o que desejo agora
É cantar, em teu colo, ó Mãe, porque é que te amo
E mil vezes dizer-te que sou tua filha!…

 

 

 

Poesia: Oração de São João Paulo II a Nossa Senhora do Divino Amor


 

 Em 1º de maio de 1979, são João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora do "Divino Amor", em Roma, ocasião na qual recitou essa poesia:

Oração: A Nossa Senhora (Dante Alighieri)

 


O bem-aventurado Pier Giorgio Frassati recitava de cor e tinha em seu quarto pregada a seguinte oração, que ele retirou da "Divina Comédia", de Dante Alighieri. 


Oração a Nossa Senhora

Divina Comédia “Paraí­so” de Dante [do XXXIII, vers. 1-21]. 


Virgem Mãe, filha do teu Filho,

a criatura mais alta e mais humilde 

objeto fixo do desígnio eterno,

Poesia: Madalena (Olavo Bilac)


 

Olavo Bilac (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Foi o responsável pela criação da letra do Hino à Bandeira, inicialmente criado para circulação na capital federal (na época, o Rio de Janeiro), e mais tarde sendo adotado em todo o Brasil. Também ficou famoso pelas fortes convicções políticas, sobressaindo-se a ferrenha oposição ao governo militar do marechal Floriano Peixoto.

Em 1907, foi eleito "príncipe dos poetas brasileiros", pela revista Fon-Fon. É autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, como os sonetos Ora (direis) ouvir estrelas e Língua portuguesa.

Legou alguns poemas com inspirações bíblicas, dentre os quais este a seguir, onde retrata o encontro de Maria Madalena e Jesus Cristo no Sepulcro, na manhã do domingo de Ressurreição.

Poesia: O rouxinol do Calvário e outros poemas (Gomes Leal)

 




Gomes Leal foi filho de um modesto funcionário da Alfândega, e começa por trabalhar como escrevente ao serviço de um notário lisboeta. Depois de uma vasta colaboração jornalística dispersa por periódicos diversos, publica o seu primeiro volume de poesias, Claridades do Sul. Em 1881, funda, mais uma vez ao lado de Magalhães Lima, o jornal O Século, onde assegura a rubrica "Carteira de Mefistófeles", que publicará importantes artigos de teorização sobre a poesia moderna. É também nesse ano que publica o panfleto A Traição, dirigido contra o rei D. Luís, onde apelida o rei de "salafrário", "assassino e ladrão", e é preso. Depois da morte da mãe, em 1910, converte-se ao catolicismo, mas cai na miséria, acabando a viver da caridade alheia e de uma pensão do Estado. Apesar de Gomes Leal ter sido reconhecido em vida essencialmente como poeta social e satírico, a sua "arte compósita", assim lhe chamou Vitorino Nemésio, assinala uma renovação na expressão poética portuguesa, abrindo caminho à poesia moderna. 

Poesia: Elegia (trechos - Camões)

 

Luís de Camões (1524-1580) foi um poeta português. Autor do poema Os Lusíadas, uma das obras mais importantes da literatura portuguesa, que celebra os feitos marítimos e guerreiros de Portugal. É o maior representante do Classicismo Português.

Quando jovem, compôs uma elegia à Paixão de Cristo, que ofereceu a seu tio. Seus versos revelam que ele estudou os clássicos da Antiguidade e os humanistas italianos.

Poesia: Poema Eucarístico (trechos - são José de Anchieta)


 
Apesar de ter nascido na Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha, padre José de Anchieta ficou conhecido como o “apóstolo do Brasil” por sua atuação no País. Chegou ao Brasil em julho de 1553, com outros seis jesuítas e, em menos de um ano, dominava o tupi com perfeição. Ao longo dos 43 anos em que viveu no Brasil, participou da fundação de escolas, cidades e igrejas.

Em 1566, Anchieta foi ordenado sacerdote. Três anos depois, fundou o povoado de Reritiba, atual Anchieta, no Espírito Santo. E, em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu até 1585. Em 1595, Anchieta retirou-se para Reritiba, onde permaneceu até seu falecimento, aos 63 anos de idade, em 9 de junho de 1597.

A assinatura do decreto de canonização do Apóstolo do Brasil ocorreu 417 anos depois de sua morte, no dia 24 de abril de 2014, pelo papa Francisco, em Roma. No relatório final dos postuladores sobre a vida do jesuíta, um documento de 488 páginas, há o registro de 5.350 histórias de pessoas que alcançaram graças rezando a José de Anchieta.

Poesia: No horto das oliveiras (Auta de Sousa)

 

Auta de Souza  nasceu em 1876, em Macaíba, no Rio Grande do Norte. Ficou órfã aos três anos, com a morte de sua mãe por tuberculose, e no ano seguinte perdeu também o pai, pela mesma doença. Durante a infância, foi criada por sua avó materna, conhecida como Dindinha, em uma chácara no Recife, onde foi alfabetizada por professores particulares.

Aos onze anos, foi matriculada no Colégio São Vicente de Paula, dirigido por freiras vicentinas francesas, e onde aprendeu Francês, Inglês, Literatura, Música e Desenho. Lia no original as obras de Victor Hugo, Lamartine, Chateaubriand e Fénelon.

Mais tarde, aos catorze anos, recebeu o diagnóstico de tuberculose, e teve que interromper seus estudos no colégio religioso, mas deu prosseguimento à sua formação intelectual como autodidata.

Poesia: Sonetos (Pe. Baltasar Estaço)

 

Padre Baltasar Estaço (1570-16--?) nasceu em Évora e foi cónego da Sé de Viseu. Dedicou-se à poesia e à filosofia escolástica. Por motivos desconhecidos, foi processado pela Inquisição e preso em Julho de 1614. Sabe-se que esteve preso em Coimbra em 1616, onde se tentou suicidar, sendo transferido para Lisboa no ano seguinte. Em 1620 é condenado a prisão perpétua, mais é libertado em 1621 com a condição de não voltar a Viseu. Publicou, a pedido de D. João de Bragança, bispo de Viseu, a obra Sonetos, Éclogas e Outras Rimas (Coimbra, 1604), onde glorifica vários santos e condena as vaidades do mundo num estilo em que ele próprio se propõe dar o exemplo de humildade, mas que é sobretudo feito da exploração teológica dos paradoxos e da coincidentia oppositorum no amor a Deus. Deixou diversas obras manuscritas.

Poesias: Sonetos (Gregório de Matos)

 


Gregório de Matos Guerra, poeta baiano do século XIX, é considerado o primeiro poeta genuinamente brasileiro de nossa literatura. Famoso por seu tom ácido, despertou a ira dos que eram criticados em seus poemas. Muito dinâmico, o poeta não compôs só os poemas satíricos que lhe deram a fama de Boca do Inferno, mas também produziu obras religiosas e líricas.

O poeta Gregório de Matos nasceu na Bahia, provavelmente em 20 de dezembro de 1633, e teria falecido em janeiro de 1696, em Recife. Após ter cursado os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas, em Salvador, mudou-se para Coimbra, em Portugal, onde cursou Direito. Após formar-se, exerceu a advogacia em Lisboa por um tempo, até que retornou à Bahia em razão do incômodo gerado por suas sátiras na sociedade portuguesa.

Poesias: Setenário das Dores de Nossa Senhora, V Dor (Alphonsus de Guimaraens)

 

Alphonsus de Guimaraens (ou Afonso Henriques da Costa Guimarães) nasceu em 24 de julho de 1870, em Ouro Preto, Minas Gerais. Além de poeta, foi promotor, juiz e jornalista. A morte de sua primeira noiva — a prima Constança — fez com que o escritor passasse a ver a realidade com os olhos da tristeza.

Assim, o autor, que faleceu em 15 de julho de 1921, fez parte do simbolismo brasileiro e produziu melancólicas poesias, caracterizadas por uma linguagem simples, além do uso de aliterações e sinestesias. 

Ainda assim, casou-se com Zenaide de Oliveira, com quem teve 14 filhos. Dividiu seu tempo entre as atividades de juiz e a produção de sua obra poética.

Além do lirismo, os versos de Alphonsus Guimaraens refletem a preocupação pelo sentimento religioso e pela meditação cristã. De família católica, o poeta tornou-se o maior cantor da Virgem, dedicando a Nossa Senhora um conjunto de 49 sonetos, reunidos sob o título de Setenário das Dores de Nossa Senhora.

Para melhor meditarmos nesse Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, trazemos o canto da quinta de dor de Maria Santíssima (a morte de Cristo na Cruz).

Poesia: Oração (Medeiros e Albuquerque)

 

Medeiros e Albuquerque (José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque), jornalista, professor, político, contista, poeta, orador, romancista, teatrólogo, ensaísta e memorialista, nasceu no Recife, PE, em 4 de setembro de 1867, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 9 de junho de 1934. Em 1896 e 1897, compareceu às sessões preliminares de instalação da Academia Brasileira de Letras. É o fundador da cadeira n. 22, que tem como patrono José Bonifácio, o Moço.

Enquanto escritor, iniciou a sua carreira literária, em 1889, com a publicação das obras Pecados e Canções da Decadência, nas quais manifestou uma estética simbolista e decadentista. Os temas prediletos do poeta foram o sonho, a fantasia, a loucura e o pessimismo, através dos quais exprimiu o seu olhar mórbido sobre o mundo, a sua indisfarçável desesperança diante da vida e o seu espírito anti-cartesiano, anti-científico e ateu.

Apesar disso, nos deixou essa belíssima poesia, onde reconhece-se pecador e canta o pedido de perdão ao Senhor.

Poesia: A morte de Cristo (Arthur de Azevedo)

 

Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (Maranhão) em 7 de julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 22 de outubro de 1908. Foi contista, poeta, dramaturgo, jornalista e tradutor.

Ao lado do irmão Aluísio Azevedo (1857-1913), fundou a Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1897, na qual ocupou a cadeira 29 (em 1892), que tem como patrono Martins Pena (1815-1848). No ano de 1897, Azevedo publicou uma de suas obras mais importantes, a peça para o teatro "A Capital Federal".