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Poesia de Bocage a Nossa Senhora

 

Bocage é considerado um dos maiores poetas portugueses, que viveu de 1765 a 1805. Durante sua infância, entrou em uma vida libertina, e é muito conhecido pelos seus poemas eróticos e pornográficos. Mas nos seus últimos 20 anos de vida, retornou à fé e escreveu talvez os seus mais belos poemas, dirigidos a Nosso Senhor e à Virgem Santíssima.

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Invocando o amparo de Maria Santíssima



Tu, por Deus entre todas escolhida,
Virgem das virgens; Tu, que do assanhado
Tartáreo monstro com Teu pé sagrado
Esmagaste a cabeça entumecida;

Doce abrigo, santíssima guarida
De quem Te busca em lágrimas banhado,
Corrente com que as nódoas do pecado
Lava uma alma que geme arrependida;

Virgem, de estrelas nítidas c’roada,
Do Espírito, do Pai, do Filho Eterno,
Mãe, Filha, Esposa e, mais que tudo, amada:

Valha-me o teu poder e amor materno;
Guia este cego, arranca-me da estrada
Que vai parar ao tenebroso inferno!

Poesia: O rouxinol do Calvário e outros poemas (Gomes Leal)

 




Gomes Leal foi filho de um modesto funcionário da Alfândega, e começa por trabalhar como escrevente ao serviço de um notário lisboeta. Depois de uma vasta colaboração jornalística dispersa por periódicos diversos, publica o seu primeiro volume de poesias, Claridades do Sul. Em 1881, funda, mais uma vez ao lado de Magalhães Lima, o jornal O Século, onde assegura a rubrica "Carteira de Mefistófeles", que publicará importantes artigos de teorização sobre a poesia moderna. É também nesse ano que publica o panfleto A Traição, dirigido contra o rei D. Luís, onde apelida o rei de "salafrário", "assassino e ladrão", e é preso. Depois da morte da mãe, em 1910, converte-se ao catolicismo, mas cai na miséria, acabando a viver da caridade alheia e de uma pensão do Estado. Apesar de Gomes Leal ter sido reconhecido em vida essencialmente como poeta social e satírico, a sua "arte compósita", assim lhe chamou Vitorino Nemésio, assinala uma renovação na expressão poética portuguesa, abrindo caminho à poesia moderna. 

Poesia: Sonetos (Pe. Baltasar Estaço)

 

Padre Baltasar Estaço (1570-16--?) nasceu em Évora e foi cónego da Sé de Viseu. Dedicou-se à poesia e à filosofia escolástica. Por motivos desconhecidos, foi processado pela Inquisição e preso em Julho de 1614. Sabe-se que esteve preso em Coimbra em 1616, onde se tentou suicidar, sendo transferido para Lisboa no ano seguinte. Em 1620 é condenado a prisão perpétua, mais é libertado em 1621 com a condição de não voltar a Viseu. Publicou, a pedido de D. João de Bragança, bispo de Viseu, a obra Sonetos, Éclogas e Outras Rimas (Coimbra, 1604), onde glorifica vários santos e condena as vaidades do mundo num estilo em que ele próprio se propõe dar o exemplo de humildade, mas que é sobretudo feito da exploração teológica dos paradoxos e da coincidentia oppositorum no amor a Deus. Deixou diversas obras manuscritas.

Poesia: Soneto (Bocage)

 


Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em Setúbal, às margens do rio Sado, em Portugal, no dia 15 de setembro de 1765. Filho de José Luís Soares de Barbosa, juiz de fora e ouvidor, e de Mariana Joaquina Xavier l'Hedois Lustoff du Bocage, descendente de família da Normandia, região histórica do noroeste da França.


Bocage deixou fama de poeta satírico e, com o tempo seu nome tornou-se sinônimo de contador de histórias picantes e obscenas. Por outro lado, Bocage produziu também os mais belos poemas líricos, a ponto de ser colocado ao lado de Camões e Antero de Quental, como figuras máximas da poesia portuguesa.


Bocage, apesar da vida libertina em que se afundou vários anos, nunca inteiramente se afastou do Cristianismo; ele mesmo o declara num soneto, dirigindo-se a Deus:

Poesia: Escrava (Florbela Espanca)

 

Florbela Espanca, nome literário de Florbela da Alma da Conceição, nasceu em Vila Viçosa, no Alentejo, Portugal, no dia 8 de dezembro de 1894.

Seu pai, João Maria Espanca era casado com Maria do Carmo Toscano, que não podia ter filhos e autorizou o marido a se relacionar com a camponesa Antônia da Conceição Lobo. Com ela, João Maria teve dois filhos: Florbela e Apeles que foram levados para morar na casa do pai e foram registrados como filhos de Antônia e pai “incógnito”, que só a reconheceu como sua filha depois que ela morreu.

Em 1919, lançou o “Livro de Mágoas”. Parte de sua inspiração veio de sua vida tumultuada, inquieta e sofrida pelo relacionamento conflituoso com seu pai. 

Florbela Espanca morreu em Matosinhos, Portugal, no dia 8 de dezembro de 1930 e foi enterrada em Vila Viçosa, Portugal, cidade onde nasceu.

Mesmo não sendo uma pessoa "religiosa", ela nos presenteou o poema a seguir, onde se percebe o desejo da alma que se entrega como "escrava" do Senhor, e anseia por Ele, tal como a esposa pelo Esposo.