Leitura: A Visitação de Nossa Senhora (Bento XVI)

 



Em particular hoje, com a liturgia, detemo-nos a meditar sobre o mistério da Visitação da Virgem a Santa Isabel. Maria, trazendo no seio Jesus recém-concebido, vai visitar a prima Isabel. É uma jovem, mas não tem medo, porque Deus está com Ela, dentro d’Ela. De certo modo, podemos dizer que a sua viagem foi a primeira “procissão eucarística” da História.


Maria, Tabernáculo vivo de Deus que se fez carne, é a Arca da Aliança, em que o Senhor visitou e redimiu o seu povo. A presença de Jesus enche-A do Espírito Santo. Quando entra na casa de Isabel, a sua saudação é transbordante de graça: João estremece no seio da mãe, como se tivesse sentido a vinda d’Aquele que no futuro ele deverá anunciar a Israel. Os filhos exultam, as mães regozijam-se. Este encontro, impregnado da alegria do Espírito, encontra a sua expressão no cântico do Magnificat.


Não é, porventura, também esta a alegria da Igreja, que acolhe incessantemente Cristo na sagrada Eucaristia e O leva ao mundo com o testemunho da caridade concreta, imbuída de fé e de esperança?


(Bento XVI, Saudação no final do Rosário recitado na Gruta de Lourdes, nos jardins do Vaticano, 31/5/2005)

Oração: Consagração diária à Virgem Maria (São João Paulo II)

 



Consagração diária à Virgem Maria, de São João Paulo II


Imaculada Conceição, Virgem Maria, minha Mãe, Vive em mim.

Age em mim. Fala em mim e através de mim.

Pensa os teus pensamentos na minha mente.

Ama através do meu coração.

Dá-me os teus sentimentos e disposições.

Ensina-me a seguir Jesus. Ilumine e alarga os meus pensamentos.

Corrige o meu comportamento.

Possui a minha alma.

Assume a minha inteira personalidade e vida substituindo-a com a Tua.

Inclina-me à adoração e a ação de graças contínuas.

Reza em mim e através de mim.

Faz-me viver em ti e guarda-me sempre nesta união.

Amém.

Leitura: O culto devido a Maria como Mãe da Igreja (São Paulo VI, Signum Magnum 1-7)

 


O CULTO DEVIDO A MARIA COMO MÃE DA IGREJA


Maria Santíssima, Mãe espiritual perfeita da Igreja


1. A primeira verdade é esta: Maria é Mãe da Igreja não apenas por ser Mãe de Jesus Cristo e Sua muito íntima colaboradora na «nova economia, quando o Filho de Deus assume d'Ela a natureza humana, para libertar o homem do pecado» mediante os mistérios da Sua carne (L.G. 55), mas também porque «refulge em toda a comunidade dos eleitos como modelo de virtude» (cfr. L.G. 65 também o n. 63). Como, na verdade, cada mãe humana não pode limitar a sua missão à geração de um novo homem mas deve alargá-la à nutrição e à educação, assim se comporta também a bem-aventurada Virgem Maria. Depois de ter participado no sacrifício redentor do Filho, e de maneira tão íntima que lhe fez merecer ser por Ele proclamada Mãe não só do discípulo João, mas — seja consentido afirmá-lo— do género humano, por aquele de algum modo representado, Ela continua agora no céu a cumprir a missão que teve na terra de cooperadora no nascimento e desenvolvimento da vida divina em cada alma dos homens remidos. Esta é uma consoladora verdade, que por ser livre beneplácito de Deus sapientíssimo faz parte integrante do mistério da salvação humana; por isso ela deve ser considerada como de fé por todos os cristãos.

Leitura: A Virgem Maria em Pentecostes (Cardeal Raniero Cantalamessa)

 




Nos Atos dos Apóstolos, depois de ter listado os nomes dos onze apóstolos, o autor continua com estas palavras: “Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, a Mãe de Jesus, e os irmãos dele” (Atos 1,14).


Em primeiro lugar, devemos nos desvencilhar de uma interpretação errada. Também no Cenáculo, como no Calvário, Maria é mencionada estando junto com algumas mulheres. Poderíamos dizer, portanto, que ela está lá como uma delas, nem mais nem menos que isso. Mas aqui a qualidade de “Mãe de Jesus”, logo após a menção do seu nome, muda tudo e coloca Maria em um nível completamente diferente, superior não apenas ao das mulheres, mas também dos apóstolos.

Texto: O Espírito Santo na devoção à Santíssima Virgem (São Paulo VI)

 



A reflexão teológica e a Liturgia têm vindo a salientar, de fato, que a intervenção santificadora do Espírito no caso da Virgem de Nazaré foi um momento culminante da sua ação na história de Salvação. Assim, por exemplo, alguns Santos Padres e escritores eclesiásticos atribuíram à obra do Espírito a santidade original de Maria, por ele "como que plasmada e tornada uma nova criatura". E, refletindo, depois, sobre os textos evangélicos: "Virá sobre ti o Espírito Santo e a potência do Altíssimo te recobrirá" (Lc 1,35), e "Maria... achou-se que tinha concebido por obra do Espírito Santo"; (...) "é obra do Espírito Santo o que nela se gerou" (Mt 1,18.20), descobriram eles em tal intervenção do Espírito uma ação que consagrou e tornou fecunda a virgindade de Maria e a transformou em Palácio do Rei ou Tálamo do Verbo, em Templo ou Tabernáculo do Senhor e em Arca da Aliança ou da Santificação títulos ricos de ressonâncias bíblicas. E, ao aprofundarem mais o mistério da Encarnação, viram na misteriosa relação Espírito Santo-Maria um aspecto esponsal, poeticamente descrito por Prudêncio, nestes termos: "a Virgem não-casada desposa o Espírito"; e chamaram-lhe, ainda, Santuário do Espírito Santo expressão que frisa bem o caráter sagrado da Virgem Maria, que se torna habitação permanente do mesmo Espírito de Deus. Depois, penetrando mais na doutrina do Paráclito, perceberam que d'Ele, como de uma fonte, brotou a plenitude de graça (cf. Lc 1,28) e a abundância dos dons que a exornavam.

Novena ao Divino Espírito Santo: 9º dia



 


Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 


Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Poema: A árvore da Vida (Santa Miriam de Jesus Crucificado)

 


A santa que compôs esse poema tem uma das mais belas histórias de amor por Cristo e pela Igreja. A sua biografia se encontra abaixo do poema de sua autoria.


***

Novena ao Divino Espírito Santo: 8º dia

 



 


Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 

Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Poema: A Maria Imaculada (Santa Elisabete da Trindade)

 



A Maria Imaculada (8 de dezembro de 1897)


Oh, guarda-me sempre casta e pura,


Preserva-me de toda a falta,


Vela com cuidado sobre meu fraco coração


Para que agrade ao Bem-Amado Salvador.


Que se pareça a um jardim solitário,


Que Jesus se agrade deste canteiro,


Que se digne visitá-lo muitas vezes,


Oh, que Ele aí permaneça constantemente,


Que Ele seja o Rei, o único apoio,


O Esposo enfim, o divino Amigo,


E que visitando-o a toda a hora


Nela faça a sua demora.


Porque meu coração está sempre com Ele,


E noite e dia pensa sem descaso


No Celeste e divino Amigo


A quem queria demonstrar sua ternura.


Também se eleva a Ele de desejo:


Não morrer, mas longamente sofrer,


Sofrer para Deus, dar-Lhe sua vida,


Rezando pelos pobres pecadores.


Oh, tal é minha santa inveja!


Da imortal e santa Pátria,


Virgem bendita, Ó doce Maria,


Tu velarás sobre meu débil coração.


Tu o guardarás sempre casto e puro


Preservando-o de toda a falta


A fim de que agrade a meu doce Salvador.

Novena ao Divino Espírito Santo: 7º dia

 



 


Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 

Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Oração: Oração do papa Bento XVI a Nossa Senhora Aparecida

 



"Mãe nossa, protegei a família brasileira e latino-americana!

 Amparai, sob o vosso manto protetor, os filhos dessa Pátria querida que nos acolhe,

Vós que sois a Advogada junto ao vosso Filho Jesus, dai ao Povo brasileiro paz constante e prosperidade completa,

Concedei aos nossos irmãos de toda a geografia latino-americana um verdadeiro ardor missionário irradiador de fé e de esperança,

Fazei que o vosso clamor de Fátima pela conversão dos pecadores, seja realidade, e transforme a vida da nossa sociedade,

E vós que, do Santuário de Guadalupe, intercedeis pelo povo do Continente da esperança, abençoai as suas terras e os seus lares,


    Amém".


Novena ao Divino Espírito Santo: 6º dia

 



 


Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 

Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Poema: E o nome da Virgem era Maria... (São Bernardo)

 


E o nome da Virgem era Maria...


E o nome da Virgem era Maria (Lc. 1, 27). Falemos um pouco deste nome que significa, segundo se diz, Estrela do mar, e que convém maravilhosamente à Virgem Mãe… Ela é verdadeiramente esta esplêndida estrela que devia se levantar sobre a imensidade do mar, toda brilhante por seus méritos, radiante por seus exemplos.


E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: “E o nome da Virgem, era Maria”.

Novena ao Divino Espírito Santo: 5º dia



 


Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 

Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Texto: Particular clemência de Maria para com os pecadores (Santo Afonso Maria de Ligório)

 



Particular clemência de Maria para com os pecadores


“Consentis, Senhor, que façamos descer fogo do céu e os consuma?” – assim perguntaram ao Mestre João e Tiago, quando os samaritanos se recusaram a receber Jesus Cristo e sua doutrina. Respondeu-lhes então o Salvador: Não sabeis de que espírito sois? (Lc 9,55). Queria dizer: Sou de um espírito todo de clemência e doçura; para salvar e não para castigar os pecadores, vim do céu e vós quereis vê-los perdidos? Falais em fogo e castigo? Calai-vos e nisso não me faleis mais, porque não é esse meu espírito! Ora, sendo o espírito de Maria completamente semelhante ao de seu Filho, não podemos pôr em dúvida seu natural compassivo. De fato, é chamada Mãe de Misericórdia e foi a própria misericórdia de Deus que tão compassiva e clemente a fez para todos. Assim o revelou a própria Virgem a Santa Brígida. Por isso representa-a São João revestida do sol: Apareceu um grande sinal no céu; uma mulher vestida do sol (Ap 12,1). Comentando o trecho, diz São Bernardo à Virgem: Senhora, revestistes o Sol (Verbo Divino) da carne humana, mas ele vos revestiu também de seu poder e de sua misericórdia.

Novena ao Divino Espírito Santo: 4º dia

 




Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 

Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Leitura: Sentimento de Maria Santíssima na Ascensão de seu Filho (Pe. Martinho)

 



Sentimento de Maria Santíssima na Ascensão de seu Filho


Maria só desejava o céu


Transportemo-nos hoje ao monte das Oliveiras com a Santíssima Virgem e os discípulos de Jesus, e consideremos com os olhos da fé, o adorável Salvador, depois de ter lançado uma última benção sobre todo aquele santo ajuntamento, e dado a Sua divina Mãe as demonstrações da mais afetuosa ternura, elevar-Se ao céu, todo resplandecente de glória, e acompanhado de milhares de espíritos angélicos e de todos santos, que tirara lá do limbo. O nosso espírito, limitado como é, não pode compreender quais foram os afetos do Filho e da Mãe neste soleníssimo momento. Podemos todavia dizer que, se o corpo de Maria ficou na terra para cumprir a vontade de Deus, o seu espírito e coração subiram ao céu com Jesus Cristo.

Novena ao Divino Espírito Santo: 3º dia

 




Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 

Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Leitura: Nossa Senhora da Esperança (Dom Fulton Sheen)

 



Nossa Senhora da Esperança


O nosso mundo moderno é caracterizado por sinais profundos.


Nós estamos impregnados de ânsias e de medo.


Em tempos passados temia-se Deus: mas era um temor bem diferente do que hoje nos agita; a preocupação de outrora era não O ofenderem, porque O amavam. Depois, as guerras mundiais infundiram no homem o terror dos seus semelhantes.


Hoje sentimo-nos aviltados e receosos diante do elemento mais pequeno do universo: o átomo!

Novena ao Divino Espírito Santo: 2º dia

 



Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 

Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Poesia: À Virgem Maria (Pe. Sousa Caldas)

 



Pe. Sousa Caldas (Antônio Pereira de Sousa Caldas), sacerdote, poeta e orador sacro, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 24 de novembro de 1762, e faleceu na mesma cidade, em 2 de março de 1814. É o patrono da cadeira n. 34, por escolha do fundador Pereira da Silva.

Novena ao Divino Espírito Santo: 1º dia

 


Novena ao Divino Espírito Santo em preparação ao Pentecostes

 

Oração Inicial

 

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

 

Vinde, ó Espírito Santo, e enviai do Céu um raio de vossa luz. Vinde, Pai dos pobres, vinde, dispensador dos dons, vinde, luz dos corações.

 

Leitura: Ó nome de Maria, tu és o meu amor (Santo Afonso Maria de Ligório)

 



Grande Mãe de Deus e minha Mãe, ó Maria, é verdade que eu não sou digno de proferir o vosso nome; mas vós, que me tendes amor e desejais minha salvação, concedei-me, apesar de minha indignidade, a graça de invocar sempre em meu socorro vosso amantíssimo e poderosíssimo nome. Pois é ele o auxílio de quem vive e salvação de quem morre.

 

Poesia: À Virgem, ao meio dia (Paul Claudel)

 


Um dos maiores poetas do século XX foi Paul Claudel, um diplomata francês que se converteu ao catolicismo, por graça de Nossa Senhora, certa vez em que assistia – sem fé – a uma Missa natalina na catedral de Nôtre-Dame de Paris. Maria tocou-lhe o coração, alcançando-lhe do Espírito Santo a graça da fé, e o meteu para sempre no coração de seu Filho Jesus. Claudel tornou-se um grande católico e foi um dos maiores poetas e dramaturgos do seu século. A graça da sua conversão ficou-lhe tão gravada na alma que, sempre que podia, dava uma passada por Nôtre-Dame, entrava na catedral e ficava a olhar para a imagem da Senhora, da Mãe que o salvara.


Leitura: O que era antigo passou, eis que tudo se faz novo (Santo André de Creta)

 



Santo André de Creta é considerado um dos maiores autores do Oriente, e foi responsável por escrever grande parte dos textos litúrgicos usados até hoje na Igreja Ortodoxa. Escreveu sermões belíssimos e de muito valor teológico e espiritual.

O presente texto é proposta pela Igreja Católica como segunda leitura do Ofício no dia da Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Texto: A devoção a Maria é cristológica e trinitária (S. Paulo VI)


 

Nota trinitária, cristológica e eclesial no culto da Virgem Maria


 É da máxima conveniência, antes de mais nada, que os exercícios de piedade para com a Virgem Maria exprimam, de maneira clara, a característica trinitária e cristológica que lhes é intrínseca e essencial. O culto cristão, de fato, é por sua natureza culto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, ou, conforme se expressa a Liturgia, ao Pai por Cristo no Espírito. Nesta perspectiva, torna-se ele extensivo, legitimamente, se bem que de maneira substancialmente diversa, em primeiro lugar e de modo singular, à Mãe do Senhor, e depois aos Santos, nos quais a Igreja proclama o Mistério Pascal, por isso mesmo que eles sofreram com Cristo e com Ele foram glorificados (SC 104).

Oração: Minha augusta Soberana (São Bernardo de Claraval)

 


“Minha augusta Soberana”


 Ó doce Virgem Maria, minha augusta Soberana!

 Minha amável Senhora!

 Minha boníssima e amorosíssima Mãe!

Poesia: Ave Maria (Fernando Pessoa)

 


AVE-MARIA
                        À minha mãe


Ave Maria, tão pura,
Virgem nunca maculada
Ouvide a prece tirada
No meu peito da amargura.
Vós que sois cheia de graça
Escutai minha oração,
Conduzi-me pela mão
Por esta vida que passa.
O Senhor, que é vosso filho
Que seja sempre conosco,
Assim como é convosco
Eternamente o seu brilho.
Bendita sois vós, Maria,
Entre as mulheres da terra
E voss'alma só encerra
Doce imagem d'alegria.
Mais radiante do que a luz
E bendito, oh Santa Mãe
É o fruto que provém
Do vosso ventre, Jesus!
Ditosa Santa Maria,
Vós que sois a Mãe de Deus
E que morais lá nos céus
Orai por nós cada dia.
Rogai por nós, pecadores,
Ao vosso filho, Jesus,
Que por nós morreu na cruz
E que sofreu tantas dores.
Rogai, agora, oh mãe querida
E (quando quiser a sorte)
Na hora da nossa morte
Quando nos fugir a vida.
Avé Maria, tão pura,
Virgem nunca maculada,
Ouvide a prece tirada
No meu peito da amargura.
                                  

Fernando Pessoa

A mais antiga oração a Nossa Senhora

 


Esse é o hino mais antigo preservado à Santa Virgem Maria que a chama como Theotokos (Mãe de Deus). O hino é bem conhecido em muitos países católicos romanos, ortodoxos orientais e ortodoxos orientais, e costuma ser uma das canções mais conhecidas, junto com Salve Regina.

No ano de 1927, no Egito, foi encontrado um fragmento de papiro que remonta ao século III. Neste fragmento estava escrito:

Sermão: Acreditou pela fé e concebeu pela fé (Santo Agostinho)

 


Acreditou pela fé e concebeu pela fé 

Peço-vos que repareis no que diz o Senhor ao estender a mão para os seus discípulos: Estes são minha mãe e meus irmãos e Quem fizer a vontade de meu Pai, que Me enviou, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.

Oração: Lembrai-vos (São Bernardo de Claraval)

 



“Lembrai-vos”


    Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria,

    de que nunca se ouviu dizer

    que algum dos que recorreram à vossa proteção,

    imploraram a vossa assistência

    e clamaram por vosso socorro

    tenha sido por Vós desamparado.

Meditação: Ó Virgem, pela tua benção é abençoada a criação inteira! (santo Anselmo)

 


Das Meditações de Santo Anselmo, bispo

Oratio 52: PL 158,955-956         sec.XII

Ó Virgem, pela tua benção é abençoada a criação inteira!

 

O céu e as estrelas, a terra e os rios, o dia e a noite, e tudo quanto obedece ou serve aos homens, congratulam-se, ó Senhora, porque a beleza perdida foi por ti de certo modo ressuscitada e dotada de uma graça nova e inefável. Todas as coisas pareciam mortas, ao perderem sua dignidade original que é estar em poder e a serviço dos que louvam a Deus. Para isto é que foram criadas. Estavam oprimidas e desfiguradas pelo mau uso que delas faziam os idólatras, para os quais não haviam sido criadas. Agora, porém, como que ressuscitadas, alegram-se pois são governadas pelo poder e embelezadas pelo uso dos que louvam a Deus.

 

Perante esta nova e inestimável graça, todas as coisas exultam de alegria ao sentirem que Deus, seu Criador, não apenas as governa invisivelmente lá do alto, mas também está visivelmente neles, santificando-as com o uso que delas faz. Tão grandes bens procedem do bendito fruto do sagrado seio da Virgem Maria.

 

Pela plenitude da sua graça, aqueles que estavam na mansão dos mortos alegram-se, agora libertos;e os que estavam acima do céu rejubilam-se renovados. Com efeito, pelo Filho glorioso de tua gloriosa virgindade todos os justos que morreram antes de sua morte vivivicante, exultam pelo fim se seu cativeiro, e os anjos se congratulam pela restauração de sua cidade quase em ruínas.

 

Ó mulher cheia e mais que cheia de graça, o transbordamento de tua plenitude faz renascer toda criatura! Ò Virgem bendita e mais que bendita, pela tua benção é abençoada toda a natureza, não só as coisas criadas pelo Criador, mas também o Criador pela criatura!

 

Deus deu a Maria o seu próprio Filho único, gerado de seu coração, igual a si, a quem amava como a si mesmo. No seio de Maria, formou seu filho, não outro qualquer, mas o mesmo, para que, por natureza, fosse realmente um só e o mesmo Filho de Deus e de Maria! Toda a criação é obra de Deus, e Deus nasceu de Maria. Deus criou todas as coisas, e Maria deu à luz Deus! Deus que tudo fez, formou-se a si próprio no seio de Maria. E deste modo refez tudo o que tinha feito. Ele que pode fazer tudo do nada, não quis refazer sem Maria o que fora profanado.

 

Por conseguinte, Deus é o pai das coisas criadas, e Maria a mãe das coisas recriadas. Deus é o Pai da CRIAÇÃO UNIVERSAL, E Maria a mãe da redenção universal. Pois Deus gerou aquele por quem tudo foi feito, e Maria deu à luz aquele por quem tudo foi salvo. Deus gerou aquele sem o qual nada absolutamente existe, e Maria deu à luz aquele sem o qual nada absolutamente é bom.

 

Verdadeiramente o Senhor é contigo, pois quis que toda a natureza reconheça que deve a ti, juntamente com ele, tão grande benefício.

II Leitura do Ofício das Leituras da Solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

Súplica a Nossa Senhora de Pompeia

 



“Durante o tempo em que a igreja estava sendo construída [Santuário de Pompeia], Bartolo Longo começou a empreender muitas obras de caridade. Ele e sua mulher fundaram um orfanato para meninas. As primeiras crianças ali recebidas foram quinze pequenas órfãs, uma para cada dezena do Rosário. Fundou também um albergue para rapazes filhos de prisioneiros e um albergue semelhante para as moças. Fundou as Filhas do Sagrado Rosário de Pompeia, um instituto religioso feminino, para cuidar do santuário e das casas adjuntas. Fundo, ainda, os Terciários Dominicanos, perto do santuário.

Poesia: Porque te amo, Maria (Santa Teresinha do Menino Jesus)

 


 

Porque te amo, Maria

Santa Teresinha do Menino Jesus

 

Quisera cantar, Maria, porque te amo,
Porque, ao teu nome, exulta meu coração
E porque, ao pensar em tua glória suprema,
Minh’alma não sente temor algum.
Se eu viesse a contemplar o teu fulgor sublime
Que supera de muito o dos anjos e santos,
Não poderia crer que sou tua filha
E, então, diante de ti, baixaria meus olhos.

 

Para que um filho possa amar sua mãe,
Que ela chore com ele e partilhe suas dores…
Pois tu, querida Mãe, nestas plagas de exílio,
Quanto pranto verteste a fim de conquistar-me!…
Ao meditar tua vida escrita no Evangelho,
Ouso te contemplar e me acercar de ti;
Nada me custa crer que sou um de teus filhos,
Pois te vejo mortal e, como eu, sofredora.

 

Quando o anjo te anunciou que serias a Mãe
Do Deus que reinará por toda a eternidade,
Eu te vi preferir, Maria – que mistério! –,
O inefável, luzente ouro da Virgindade.
Compreendo que tua alma, Imaculada Virgem,
Seja mais cara a Deus que o próprio céu divino;
Compreendo que tua alma, Humilde e doce Vale,
Possa conter Jesus, o grande Mar do Amor!…

 

Como te amo, Maria, ao declarar-te serva
Do Deus que conquistaste por tua humildade,
Tornou-te onipotente essa virtude oculta.
Ela ao teu coração trouxe a Trindade santa
e o Espírito de Amor, cobrindo-te em sua sombra,
O Filho, igual ao Pai, encarnou-se em teu seio…
Inúmeros serão seus irmãos pecadores,
Uma vez que Jesus é o teu primeiro filho!…

Ó Mãe muito querida, embora pequenina,
Trago em mim, como tu, o Todo-Poderoso
e nunca tremo ao ver em mim tanta fraqueza.
O tesouro da Mãe é possessão do Filho,
e sou tua filha, ó Mãe estremecida.
Tua virtude e amor não são, de fato, meus?
E quando ao coração me vem a Hóstia santa,
Teu Cordeiro, Jesus, crê que repousa em Ti!…

 

Tu me fazes sentir que não é impossível
Os teus passos seguir, Rainha dos eleitos,
Pois o trilho do céu nos tornaste visível,
Vivendo cada dia as mais simples virtudes.
Quero ficar pequena ao teu lado, Maria,
Por ver como são vãs as grandezas do mundo.
Ao ver-te visitar a casa de Isabel,
Aprendo a praticar a caridade ardente.

 

Aí escuto absorta, ó Rainha dos anjos,
O canto celestial que jorrou de teu peito;
Ensinas-me a cantar os divinos louvores
E a só me gloriar em Jesus Salvador.
Tuas frases de amor caíram como rosas
Que iriam perfumar os séculos futuros.
O Todo-Poderoso em ti fez maravilhas,
Cujas bênçãos, na prece, quero usufruir.

 

Quando o bom São José ignorava o milagre
Que intentavas velar com tua humildade,
Tu o deixaste chorar aos pés do Tabernáculo
Que esconde o Salvador e sua eterna Beleza!…
Maria, amo esse teu eloqüente silêncio,
Que soa para mim como um doce concerto,
Melodia cantando a grandeza e o poder
De um coração que espera ajuda só dos céus…

 

E, mais tarde, em Belém, ó José e Maria,
Rejeitados os vi por todas as pessoas.
Não os recebeu ninguém em sua hospedaria,
Que só os grandes acolhe e não pobres migrantes…
Para os grandes o hotel, portanto é num estábulo
Que a Rainha do céu dá à luz o Filho-Deus.
Minha querida Mãe que acho tão amável,
Como te vejo grande em lugar tão pequeno!…

 

Quando vejo o Eterno envolvido em paninhos
E ouço o fraco vagir desse Verbo divino,
Ó Mãe querida, não invejo mais os anjos,
Porquanto o Onipotente é meu amado Irmão!…
Como te amo, Maria, a ti que, em nossas terras,
Fazes desabrochar essa divina Flor!…
Como te amo escutando os pastores e os magos
Guardando, com amor, tudo no coração!…

 

Amo ao ver-te também, entre as outras mulheres,
Os passos dirigindo ao Templo do Senhor.
Amo-te apresentando o nosso Salvador
Àquele santo ancião que O tomou em seus braços.
Em princípio, sorrindo, escuto o canto dele,
Logo, porém, seu tom me faz cair em pranto,
Pois, sondando o porvir com olhar de profeta,
Simeão te apresentou uma espada de dores.

 

Rainha do martírio, até a noite da vida
Essa espada de dor traspassará teu peito.
Cedo tens de deixar o teu país natal,
Fugindo do furor de um rei cheio de inveja.
Jesus cochila em paz nas dobras de teu véu;
José te vem pedir para partir depressa
E logo se revela tua obediência,
Partindo sem atraso ou considerações.

 

Lá na terra do Egito, ó Maria, parece
Que manténs, na pobreza, o coração feliz.
Uma vez que Jesus é a mais bela das pátrias,
Com Ele tendo o céu, pouco te importa o exílio…
Mas, em Jerusalém, uma amarga tristeza,
Como um imenso mar, vem inundar teu peito:
Por três dias Jesus se esconde de teu amor;
Agora é exílio, sim, em todo o seu rigor.

 

Tu O descobres enfim, e alegria te inunda
Vendo teu belo filho encantando os doutores
E lhe dizes: “Por que, meu filho, agiste assim?
Eis que eu mais o teu pai chorando te buscávamos!”
Então o Filho de Deus responde (oh! que mistério!)
À sua terna Mãe que os braços lhe estendia:
“Por que me procurais?… Não sabeis, talvez,
Que das obras do Pai devo me ocupar?”

 

O Evangelho nos diz que, crescendo em saber,
A Maria e José, Jesus obedecia.
E o coração me diz com que infinda ternura
O Menino a seus pais assim se submetia.
Só agora compreendo o mistério do templo:
Palavras de meu Rei envoltas em mistério.
Teu doce Filho, Mãe, quer que sejas exemplo
De quem O busca em meio à escuridão da fé.

 

Já que o supremo Rei do Céu quis que sua mãe
Se afundasse na noite e em angústias interiores,
Então, Maria, é um bem sofrer assim na terra?
Sim, sofrer com amor é o mais puro prazer.
Tudo quanto me deu Jesus pode tomar;
Dize-lhe que comigo nunca se preocupe…
Que se esconda, se quer; consinto em esperar
Até o dia sem poente em que se apaga a fé.

 

Sei que, em Nazaré, ó Mãe, cheia de graça,
Longe das ambições, viveste pobremente,
Sem arrebatamento ou êxtase e milagre
Que te adornasse a vida, ó Rainha do Céu.
Na terra é muito grande o bando dos pequenos
Que, sem temor, a ti elevam seu olhar.
É o caminho comum que te apraz caminhar,
Incomparável Mãe, para guiá-los ao céu!

 

Enquanto espero o céu, ó minha Mãe querida,
Contigo hei de viver, seguir-te cada dia.
Contemplando-te, Mãe, sinto-me extasiada
Ao descobrir em ti abismos só de amor.
Teu olhar maternal expulsa meus temores,
Ensina-me a chorar e também a sorrir.
Em vez de desprezar gozos puros e santos,
Tu os queres partilhar, digna-te a abençoá-los.

 

Em Caná, ao notar a angústia do casal
Que não sabe ocultar a falta de vinho,
Preocupada contas tudo a teu Jesus,
Esperando de Seu poder a solução.
Parece que Jesus recusa teu pedido
Dizendo: “Isto que importa a mim e a ti, Mulher?”
Mas, lá em seu coração, Ele te chama Mãe
E por ti Ele opera o primeiro milagre…

 

Pecadores, um dia, ouviam a palavra
Daquele que no céu deseja recebê-los.
Junto deles te vejo, ó Mãe, sobre a colina,
E alguém diz a Jesus que tu pretendes vê-Lo.
Então o Filho de Deus, diante da turba inteira,
Mostrou a imensidão de Seu amor por nós
Dizendo: “O meu irmão e minha Mãe quem é?
Não é outro senão quem faz minha vontade”.

 

Virgem Imaculada, a mais terna das mães,
Ao escutar Jesus tu não ficaste triste
Mas te alegraste, pois Ele nos fez saber
Que nossa alma, aqui embaixo, é Sua família.
Tu te alegras por ver que Ele nos dá Sua vida,
E os tesouros sem fim de Sua divindade!…
Como, pois, não te amar, ó Mãe terna e querida,
Ao ver tamanho amor e tão grande humildade?

 

Tu nos amas, ó Mãe, como Jesus nos ama
E consentes, por nós, em afastar-se dele.
Amar é tudo dar; depois, dar-se a si mesmo.
Isto provaste ao te tornares nosso apoio.
Conhecia Jesus tua imensa ternura
E os segredos de teu coração maternal.
Ele nos deixa a ti, do pecador Refúgio,
Quando abandona a cruz para esperar-nos no céu.

 

Tu me apareces, Mãe, no cimo do Calvário,
De pé, junto da cruz, qual padre ao pé do altar,
E ofertas, para aplacar a justiça do Pai,
Teu querido Jesus, esse doce Emanuel…
Um profeta já disse, ó Mãe tão desolada:
“Não há dor neste mundo igual à tua dor”!
Ficando aqui no exílio, ó Rainha dos mártires,
Todo o sangue que tens no coração nos dás.

 

O teu único asilo é a casa de São João;
Filho de Zebedeu deve substituir Jesus!…
É o detalhe final que vem nos evangelhos
E não se fala mais da Rainha dos céus.
Mas, Mãe querida, teu silêncio tão profundo
Não revela tão bem a nós que o Verbo eterno
Quer cantar Ele próprio o louvor de tua vida
Para poder encantar teus filhos lá no céu?

 

Logo, logo ouvirei essa doce harmonia;
Cedo irei para o céu a fim de lá te ver.
Tu que, no amanhecer da vida, me sorriste,
Vem me sorrir de novo, ó Mãe! Já se faz noite!…
Não tenho mais temor do brilho de tua glória;
Contigo já sofri, o que desejo agora
É cantar, em teu colo, ó Mãe, porque é que te amo
E mil vezes dizer-te que sou tua filha!…

 

 

 

Texto: Deus quis servir-Se de Maria na Encarnação (S. Luiz Maria G. de Montfort)


Deus quis servir-Se de Maria na Encarnação


16. Deus Pai só deu ao mundo Seu Unigênito por Maria. Suspiraram os patriarcas, e pedidos insistentes fizeram os profetas e os santos da lei antiga, durante quatro milênios, mas só Maria O mereceu, e alcançou graça diante de Deus (Lucas 1, 30) pela força de suas orações e, pela sublimidade de suas virtudes. Porque o mundo era indigno, diz Santo Agostinho, de receber o Filho de Deus diretamente das mãos do Pai, Ele o deu a Maria a fim de que o mundo o recebesse por meio dela.

Poesia de Bocage a Nossa Senhora

 

Bocage é considerado um dos maiores poetas portugueses, que viveu de 1765 a 1805. Durante sua infância, entrou em uma vida libertina, e é muito conhecido pelos seus poemas eróticos e pornográficos. Mas nos seus últimos 20 anos de vida, retornou à fé e escreveu talvez os seus mais belos poemas, dirigidos a Nosso Senhor e à Virgem Santíssima.

 ***

Invocando o amparo de Maria Santíssima



Tu, por Deus entre todas escolhida,
Virgem das virgens; Tu, que do assanhado
Tartáreo monstro com Teu pé sagrado
Esmagaste a cabeça entumecida;

Doce abrigo, santíssima guarida
De quem Te busca em lágrimas banhado,
Corrente com que as nódoas do pecado
Lava uma alma que geme arrependida;

Virgem, de estrelas nítidas c’roada,
Do Espírito, do Pai, do Filho Eterno,
Mãe, Filha, Esposa e, mais que tudo, amada:

Valha-me o teu poder e amor materno;
Guia este cego, arranca-me da estrada
Que vai parar ao tenebroso inferno!

Texto: Trecho da homilia de São João Paulo II em Fátima

 


 

Trecho da homilia de São João Paulo II em Fátima, em 13 de maio de 1991.

 

“Mulher, eis o Teu filho!” - “Eis a tua Mãe!”.

O Santuário de Fátima é um lugar privilegiado, dotado de um valor especial: contém em si uma mensagem importante para a época que estamos a viver. É como se aqui, no início do nosso século, tivessem ressoado, com um novo eco, as palavras pronunciadas no Gólgota.

Maria, que estava junto da Cruz de Seu Filho, teve de acolher uma vez mais a vontade de Cristo, Filho de Deus. Mas enquanto, no Gólgota, o Filho lhe indicava um só homem, João, Seu discípulo amado, aqui Ela teve de os acolher a todos. Todos nós, os homens deste século e da sua difícil e dramática história.

Nestes homens do século XX, revelou-se com igual grandeza, quer a sua capacidade de subjugar a Terra, quer a sua liberdade de fugir ao mandamento de Deus e de o negar, como herança do seu pecado. A herança do pecado mostra-se como uma louca aspiração de construir o mundo - um mundo criado pelo homem -, “como se Deus não existisse”. E também como se não existisse aquela Cruz no Gólgota, onde “Morte e Vida se enfrentaram num duelo singular”, a fim de se manifestar que o amor é mais poderoso do que a morte, e que a glória de Deus é o homem vivo.

Mãe do Redentor! Mãe do nosso século!

Pela segunda vez, estou diante de Ti, neste Santuário, para beijar as Tuas mãos, porque estiveste firme junto da Cruz do teu Filho, que é a cruz de toda a história do homem, também do nosso século.

Estiveste e continuas a estar, pousando o Teu olhar nos corações destes filhos e filhas que pertencem já ao Terceiro Milénio. Estiveste e continuas a estar velando, com mil cuidados de Mãe, e defendendo, com Tua poderosa intercessão, o amanhecer da Luz de Cristo no seio de povos e nações.

Tu estás e permanecerás, porque o Filho Unigénito de Deus, Teu Filho, Te confiou todos os homens, quando ao morrer sobre a Cruz nos introduziu, no novo princípio de tudo quanto existe. A tua maternidade universal, ó Virgem Maria, é a âncora segura de salvação da humanidade inteira. Mãe do Redentor! Cheia de Graça! Eu Te saúdo, Mãe da confiança de todas as gerações humanas!

 

Reflexão: Maria não pode deixar de amar-nos (Santo Afonso Maria de Ligório)

 

 

Maria não pode deixar de amar-nos

 

Se, pois, Maria é nossa Mãe, consideremos quanto ela nos ama. O amor dos pais para com os filhos é um amor necessário. E esta é a razão, adverte Santo Tomás, por que, pondo a divina lei preceito aos filhos de amarem os pais, não pôs preceito expresso aos pais de amarem os filhos. Pois o amor aos próprios filhos é amor com tanta força imposto pela mesma natureza, que as mesmas feras mais cruéis, como disse Santo Ambrósio, não podem deixar de amá-los.

 

Poesia: Oração de São João Paulo II a Nossa Senhora do Divino Amor


 

 Em 1º de maio de 1979, são João Paulo II visitou o Santuário de Nossa Senhora do "Divino Amor", em Roma, ocasião na qual recitou essa poesia:

Oração: A Nossa Senhora (Dante Alighieri)

 


O bem-aventurado Pier Giorgio Frassati recitava de cor e tinha em seu quarto pregada a seguinte oração, que ele retirou da "Divina Comédia", de Dante Alighieri. 


Oração a Nossa Senhora

Divina Comédia “Paraí­so” de Dante [do XXXIII, vers. 1-21]. 


Virgem Mãe, filha do teu Filho,

a criatura mais alta e mais humilde 

objeto fixo do desígnio eterno,

"Não se pode separar a Cruz do trabalho humano"




A cruz não se pode separar do trabalho humano. Não se pode separar Cristo do trabalho humano. E isto foi confirmado aqui em Nowa Huta. E este foi o princípio da nova evangelização, nos alvores do milênio do cristianismo na Polónia. Este novo início vivemo-lo juntos e levei-o comigo, de Cracóvia para Roma, como uma relíquia.