Breve reflexão para o Natal

 


"A Manjedoura e a Cruz erguem-se nos extremos da vida do Salvador. Aceitou a manjedoura, porque não havia lugar na hospedaria; aceitou a Cruz, porque os homens disseram: 'Não queremos esse Homem para nosso rei'. Repudiado na entrada, rejeitado na saída, foi reclinado num estábulo emprestado, no princípio e num sepulcro emprestado, no fim. Um boi e um jumento rodearam o presépio de Belém; dois ladrões haviam de ladear a Cruz no Calvário. Ao nascer foi envolto em paninhos; na sepultura, repousaria de novo sobre panos, símbolos das limitações impostas à sua Divindade ao tomar a forma humana. Se nos dobrarmos diante d'Ele encontraremos, no entanto, um Menino sentado no regaço de Sua Mãe com o mundo em equilíbrio entre Seus dedos". 

Venerável Fulton Sheen - Vida de Cristo

Uma oração de São João Paulo II ao Menino Jesus

 

Oração de São João Paulo ao Menino Jesus

Na noite de Natal de 24 de dezembro de 2003, o então papa João Paulo II proferiu na Basílica de São Pedro uma de suas mais belas homilias. Os 3 últimos parágrafos desta constituem uma poesia que ele direciona ao Menino Jesus, e que trazemos abaixo transcrita.

Quarta Meditação de Advento: A dimensão ética na vida do homem (São João Paulo II)

 


PAPA JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 20 de Dezembro de 1978

A dimensão ética na vida do homem

 

1. O nosso encontro de hoje oferece-nos ensejo para a quarta e turma meditação sobre o Advento. O Senhor está perto, recorda-no-lo, todos os dias, a liturgia do Advento. Esta vizinhança do Senhor todos a sentimos: tanto nós, sacerdotes, rezando todos os dias as admiráveis "antífonas maiores" do Advento, como todos os cristãos que procuram preparar os corações e consciências para a Sua vinda.


Sei que neste período os confessionários nas igrejas da minha pátria, a Polónia, são assediados, não menos que durante a Quaresma. Penso que assim será certamente também aqui na Itália e em toda a parte onde o espírito de fé faz sentir a necessidade de abrir a alma ao Senhor que está para vir. A alegria maior desta expectativa do Advento é a que vivem as crianças. Lembro-me que elas precisamente gostavam de se apressar nas paróquias da minha pátria para as Missas que se celebram à aurora (chamadas "Rorate...", da palavra com que se inicia a liturgia: Rorate coeli: destilai, ó céus, lá das alturas, o orvalho [Is 45. 8]).


Contavam todos os dias quantos "degraus" faltavam ainda na "escada do céu", pela qual Jesus desceria à terra, para O poderem encontrar à meia-noite do Natal no presépio de Belém.


O Senhor está perto!

Meditação sobre o "sim" de Nossa Senhora (São Bernardo)

 



Das Homilias em louvor da Virgem Mãe, de São Bernardo, abade

(Hom. 4,8-9: Opera omnia, Edit. Cisterc. 4, [1966], 53-54)

(Séc. XII)

O mundo inteiro espera a resposta de Maria

 

Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo. O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia.

Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação; se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés.

E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e concebe a Palavra de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre, ó Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! se tardas e ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas aquele que teu coração ama! Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1,38).

 

Terceira Meditação de Advento: A Criação é dom do Amor de Deus (São João Paulo II)

 


 PAPA JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 13 de Dezembro de 1978

A Criação é dom do Amor de Deus

1. Já pela terceira vez nestes nossos encontros das quartas-feiras, escolho o tema do Advento, seguindo o ritmo da liturgia, que, do modo mais simples e ao mesmo tempo mais profundo, nos introduz na vida da Igreja. O Concílio Vaticano II, que nos deu uma doutrina rica e universal sobre a Igreja, chamou a nossa atenção também para a Liturgia. Por meio dela conhecemos não só o que é a Igreja, mas experimentamos, dia após dia, aquilo de que ela vive. Também nós disso vivemos porque somos a Igreja: "A Liturgia... contribui no mais alto grau para que os fiéis, pela sua vida, exprimam e manifestem aos outros o mistério de Cristo e a autêntica natureza da verdadeira Igreja. F. próprio desta, ser humana ao mesmo tempo que divina, visível e dotada de elementos invisíveis, ardente em ação e ocupada na contemplação, presente e no mundo e todavia peregrina" (Const. Sacrosanctum Concilium, 2).

"A voz da rola se escuta em nossa terra" - Relato da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe


 

 

A voz da rola se escuta em nossa terra

Do “Nicán Mopohua”, relato do escritor indígena do século dezesseis Dom Antônio Valeriano
(“Nican Mopohua”, 12ª edición, Buena Prensa, México, D.F., 1971, p. 3-19.21) (Séc. XVI)

 

Num sábado de mil e quinhentos e trinta e um, perto do mês de dezembro, um índio de nome Juan Diego, mal raiava a madrugada, ia do seu povoado a Tlatelolco, para participar do culto divino e escutar os mandamentos de Deus. Já amanhecia, quando chegou ao cerrito chamado Tepeyac e escutou que do alto o chamavam:

 

Segunda Meditação de Advento: O homem, "imagem de Deus" (São João Paulo II)

 


PAPA JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 6 de Dezembro de 1978

O homem "imagem de Deus"

Irmãs e Irmãos caríssimos

Volto ao assunto de quarta-feira passada.


1. Para penetrar na plenitude bíblica e litúrgica do significado do Advento, é preciso seguir duas direções. É necessário "tornar a subir" aos inícios, e ao mesmo tempo descer em profundidade. Já o fizemos, pela primeira vez, na quarta-feira passada, escolhendo para tema da nossa meditação as primeiras palavras do livro do Génesis: No princípio criou Deus (Beresit tiara Elohim). Quase no fim do desenvolvimento do tema da outra semana, fizemos também notar que, para entender o Advento no seu primeiro significado, se requer que nos introduzamos também no tema do "homem".


O significado pleno do Advento deriva da reflexão sobre a Realidade de Deus que cria — e criando se revela a Si mesmo (esta é a primeira e fundamental revelação, e também a primeira e fundamental verdade do nosso Credo). O pleno significado do Advento deriva ao mesmo tempo da profunda reflexão sobre a realidade do homem. Desta segunda realidade que é o homem um pouco mais nos aproximaremos durante a presente meditação.

Primeira Meditação de Advento: O cristianismo vive o mistério da vinda real de Deus (São João Paulo II)

 


Em 1978, ano em que foi eleito, o papa são João Paulo II, após retomar e concluir as catequeses que foram iniciadas pelo beato João Paulo I sobre as virtudes teologais e cardeais, fez uma série de quatro audiências sobre o sentido do Advento, enquanto preparação para a celebração da Encarnação do Verbo Divino, Nosso Senhor Jesus Cristo. As audiências são feitas às quartas-feiras, mas cada uma delas serve como reflexão para cada semana em preparação para o Natal.
Trazemos a vocês esses textos preciosos, cheios de conteúdo para nossa reflexão pessoal e para prepararmos nossos corações para esse mistério de Deus que assume nossa condição e nossa natureza humana.



 PAPA JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 29 de Novembro de 1978

O cristianismo vive o mistério da vinda real de Deus

 

1. Apesar de o tempo litúrgico do Advento começar só no próximo domingo, quero falar desse ciclo a partir de hoje.


Já estamos habituados à palavra "advento". Sabemos o que significa, mas precisamente pelo facto de nos termos familiarizado com ela, talvez não cheguemos a compreender toda a riqueza que esse conceito encerra.


Advento significa "chegada".


Assim, devemos perguntar-nos: quem é que chega? e por quem vem?


Para esta pergunta, encontramos logo a resposta. Até os pequeninos sabem que é Jesus que vem, para eles e para todos os homens. Vem numa noite a Belém, nasce numa gruta que servia de estábulo para os animais.


Isto, que as crianças sabem, sabem-no igualmente os adultos que compartilham a alegria dos pequeninos e que na Noite de Natal parece tornarem-se, também eles, criancinhas. Contudo, muitas são as interrogações que devemos pôr-nos. O homem tem o direito, e mesmo o dever, de perguntar, para saber. Há ainda, porém, quem duvide, e, embora compartilhe a alegria do Natal, pareça estranho à verdade que ele encerra.


É por isso que temos o tempo do Advento, de modo que todos os anos possamos penetrar de novo nesta verdade essencial do cristianismo.