Apesar de ter nascido na Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha, padre José de Anchieta ficou conhecido como o “apóstolo do Brasil” por sua atuação no País. Chegou ao Brasil em julho de 1553, com outros seis jesuítas e, em menos de um ano, dominava o tupi com perfeição. Ao longo dos 43 anos em que viveu no Brasil, participou da fundação de escolas, cidades e igrejas.
Em 1566, Anchieta foi ordenado sacerdote. Três anos depois, fundou o povoado de Reritiba, atual Anchieta, no Espírito Santo. E, em 1577, foi nomeado Provincial da Companhia de Jesus no Brasil, função que exerceu até 1585. Em 1595, Anchieta retirou-se para Reritiba, onde permaneceu até seu falecimento, aos 63 anos de idade, em 9 de junho de 1597.
A assinatura do decreto de canonização do Apóstolo do Brasil ocorreu 417 anos depois de sua morte, no dia 24 de abril de 2014, pelo papa Francisco, em Roma. No relatório final dos postuladores sobre a vida do jesuíta, um documento de 488 páginas, há o registro de 5.350 histórias de pessoas que alcançaram graças rezando a José de Anchieta.
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Poema Eucarístico (trechos)
Foi quando o próprio pão, em jantar derradeiro,
Comendo, aos seus irmãos deu-se a comer inteiro.
Pulsem os corações com tão rico presente
E transborde o louvor a voz que canta e sente!
Pela primeira vez chega o grande momento:
É posto à mesa régia o célico alimento.
(...)
Em tudo igual a ti, veio em corpo mortal
A lavar nosso crime extirpar nosso mal,
Enfrentar por vontade um cruel sofrimento,
E arrostando a cruz o horroroso tormento,
Com sua morte atroz, restaurar a amizade.
(...)
O teu sangue em caudais tu por mil derramaste:
Pois tu com preço tal, sozinho me compraste.
Vida inocente dás, para não me perder:
Para comprar o morto aceitas o morrer.
E em mim possas viver só e sempre em guarida,
Pois tua morte foi causa de minha vida!
(...)
O novo rei do céu dá na ceia a seus povos
Com dadivosa mão estes manjares novos.
A nova páscoa finda a do antigo cordeiro,
E cede à nova lei o código primeiro.
Ao real cede a sombra, ao recente a demora,
Foge rápida a noite ao ressurgir da aurora.
(...)
Vais e ficas, deixando o maior dom terrestre,
Teu corpo, ó Cristo, que é o penhor de que ama.
Ó verdadeiro amor, benigníssima chama,
Que és para os bons, Jesus, compaixão infinita!
Fonte: http://www.archivioradiovaticana.va/storico/2014/04/15/eucaristia_%C3%A0_luz_de_anchieta/bra-790971
