Poesia: À Virgem, ao meio dia (Paul Claudel)

 


Um dos maiores poetas do século XX foi Paul Claudel, um diplomata francês que se converteu ao catolicismo, por graça de Nossa Senhora, certa vez em que assistia – sem fé – a uma Missa natalina na catedral de Nôtre-Dame de Paris. Maria tocou-lhe o coração, alcançando-lhe do Espírito Santo a graça da fé, e o meteu para sempre no coração de seu Filho Jesus. Claudel tornou-se um grande católico e foi um dos maiores poetas e dramaturgos do seu século. A graça da sua conversão ficou-lhe tão gravada na alma que, sempre que podia, dava uma passada por Nôtre-Dame, entrava na catedral e ficava a olhar para a imagem da Senhora, da Mãe que o salvara.



À Virgem, ao Meio-Dia


Vejo a igreja aberta. É preciso entrar.

Mãe de Jesus Cristo, não venho rezar.

Não tenho nada a oferecer e nada a pedir.

Venho apenas, Mãe, para vos olhar.

Vos olhar, chorar de felicidade, saber isso,

Que sou vosso filho e que estais aqui.

Apenas por um momento enquanto tudo se detém.

Estar convosco, Maria, neste lugar onde estais.

Não dizer nada, olhar vosso rosto,

Deixar o coração cantar em sua própria linguagem.

Não dizer nada, mas apenas cantar porque temos o coração transbordante,

Como o melro que segue sua ideia nesses versos repentinos.

Porque sois bela, porque sois imaculada,

A mulher na Graça finalmente restituída,

A criatura em sua honra primordial e em seu florescer,

Assim como saiu de Deus na manhã de seu esplendor original.

Intacta e inefavelmente porque sois a Mãe de Jesus Cristo,

Que é a verdade entre vossos braços, a única esperança e o único fruto.

Porque sois a mulher, o Éden da antiga ternura esquecida,

Cujo olhar encontra o coração de repente e faz jorrar as lágrimas acumuladas.

Porque me salvastes, porque salvastes a França,

Porque ela também, assim como eu, fomos objetos de sua atenção,

Porque na hora em que tudo se perdia, foi então que interviestes,

Porque salvastes a França mais uma vez,

Porque é meio-dia, porque estamos neste dia de hoje,

Porque estais aqui para sempre, simplesmente porque sois Maria, simplesmente porque existis,

Mãe de Jesus Cristo, que eu vos seja agradecido!