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Poesia: Primeira Missa no Brasil (Luís Delfino dos Santos)

 


Primeira Missa no Brasil

A Victor Meirelles


Céu transparente, azul, profundo, luminoso;
Montanhas longe, em cima, à esquerda, empoeiradas
De luz úmida e branca; o oceano majestoso
À direita, em miniatura; as vagas aniladas


Coalham naus de Cabral; mexem-se inda ancoradas;
A praia encurva o colo ardente e gracioso;
Fulge a concha na areia a cintilar; grupadas
As piteiras em flor dão ao quadro um repouso.


Serpeja a liana a rir; a mata se condensa,
Cai no meio da tela: um povo estranho a eriça;
Sobre o altar tosco pau ergue-se em cruz imensa.


Da armada a gente ajoelha; a luz golfa maciça
Sobre a clareira; e um frade, ao ar, que a selva incensa,
Nas terras do Brasil reza a primeira missa.



In: DELFINO, Luiz. Algas e musgos. Rio de Janeiro: Livr. Papelaria, Lytho-Typographia Pimenta de Melo, s.d. Poema integrante da série Gravuras

Poesia: Madalena (Olavo Bilac)


 

Olavo Bilac (Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac), jornalista, poeta, inspetor de ensino, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 16 de dezembro de 1865, e faleceu, na mesma cidade, em 28 de dezembro de 1918. Um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.

Foi o responsável pela criação da letra do Hino à Bandeira, inicialmente criado para circulação na capital federal (na época, o Rio de Janeiro), e mais tarde sendo adotado em todo o Brasil. Também ficou famoso pelas fortes convicções políticas, sobressaindo-se a ferrenha oposição ao governo militar do marechal Floriano Peixoto.

Em 1907, foi eleito "príncipe dos poetas brasileiros", pela revista Fon-Fon. É autor de alguns dos mais populares poemas brasileiros, como os sonetos Ora (direis) ouvir estrelas e Língua portuguesa.

Legou alguns poemas com inspirações bíblicas, dentre os quais este a seguir, onde retrata o encontro de Maria Madalena e Jesus Cristo no Sepulcro, na manhã do domingo de Ressurreição.

Poesia: No horto das oliveiras (Auta de Sousa)

 

Auta de Souza  nasceu em 1876, em Macaíba, no Rio Grande do Norte. Ficou órfã aos três anos, com a morte de sua mãe por tuberculose, e no ano seguinte perdeu também o pai, pela mesma doença. Durante a infância, foi criada por sua avó materna, conhecida como Dindinha, em uma chácara no Recife, onde foi alfabetizada por professores particulares.

Aos onze anos, foi matriculada no Colégio São Vicente de Paula, dirigido por freiras vicentinas francesas, e onde aprendeu Francês, Inglês, Literatura, Música e Desenho. Lia no original as obras de Victor Hugo, Lamartine, Chateaubriand e Fénelon.

Mais tarde, aos catorze anos, recebeu o diagnóstico de tuberculose, e teve que interromper seus estudos no colégio religioso, mas deu prosseguimento à sua formação intelectual como autodidata.

Poesias: Sonetos (Gregório de Matos)

 


Gregório de Matos Guerra, poeta baiano do século XIX, é considerado o primeiro poeta genuinamente brasileiro de nossa literatura. Famoso por seu tom ácido, despertou a ira dos que eram criticados em seus poemas. Muito dinâmico, o poeta não compôs só os poemas satíricos que lhe deram a fama de Boca do Inferno, mas também produziu obras religiosas e líricas.

O poeta Gregório de Matos nasceu na Bahia, provavelmente em 20 de dezembro de 1633, e teria falecido em janeiro de 1696, em Recife. Após ter cursado os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas, em Salvador, mudou-se para Coimbra, em Portugal, onde cursou Direito. Após formar-se, exerceu a advogacia em Lisboa por um tempo, até que retornou à Bahia em razão do incômodo gerado por suas sátiras na sociedade portuguesa.

Poesias: Setenário das Dores de Nossa Senhora, V Dor (Alphonsus de Guimaraens)

 

Alphonsus de Guimaraens (ou Afonso Henriques da Costa Guimarães) nasceu em 24 de julho de 1870, em Ouro Preto, Minas Gerais. Além de poeta, foi promotor, juiz e jornalista. A morte de sua primeira noiva — a prima Constança — fez com que o escritor passasse a ver a realidade com os olhos da tristeza.

Assim, o autor, que faleceu em 15 de julho de 1921, fez parte do simbolismo brasileiro e produziu melancólicas poesias, caracterizadas por uma linguagem simples, além do uso de aliterações e sinestesias. 

Ainda assim, casou-se com Zenaide de Oliveira, com quem teve 14 filhos. Dividiu seu tempo entre as atividades de juiz e a produção de sua obra poética.

Além do lirismo, os versos de Alphonsus Guimaraens refletem a preocupação pelo sentimento religioso e pela meditação cristã. De família católica, o poeta tornou-se o maior cantor da Virgem, dedicando a Nossa Senhora um conjunto de 49 sonetos, reunidos sob o título de Setenário das Dores de Nossa Senhora.

Para melhor meditarmos nesse Domingo de Ramos da Paixão do Senhor, trazemos o canto da quinta de dor de Maria Santíssima (a morte de Cristo na Cruz).

Poesia: Oração (Medeiros e Albuquerque)

 

Medeiros e Albuquerque (José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque), jornalista, professor, político, contista, poeta, orador, romancista, teatrólogo, ensaísta e memorialista, nasceu no Recife, PE, em 4 de setembro de 1867, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 9 de junho de 1934. Em 1896 e 1897, compareceu às sessões preliminares de instalação da Academia Brasileira de Letras. É o fundador da cadeira n. 22, que tem como patrono José Bonifácio, o Moço.

Enquanto escritor, iniciou a sua carreira literária, em 1889, com a publicação das obras Pecados e Canções da Decadência, nas quais manifestou uma estética simbolista e decadentista. Os temas prediletos do poeta foram o sonho, a fantasia, a loucura e o pessimismo, através dos quais exprimiu o seu olhar mórbido sobre o mundo, a sua indisfarçável desesperança diante da vida e o seu espírito anti-cartesiano, anti-científico e ateu.

Apesar disso, nos deixou essa belíssima poesia, onde reconhece-se pecador e canta o pedido de perdão ao Senhor.

Poesia: A morte de Cristo (Arthur de Azevedo)

 

Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (Maranhão) em 7 de julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 22 de outubro de 1908. Foi contista, poeta, dramaturgo, jornalista e tradutor.

Ao lado do irmão Aluísio Azevedo (1857-1913), fundou a Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1897, na qual ocupou a cadeira 29 (em 1892), que tem como patrono Martins Pena (1815-1848). No ano de 1897, Azevedo publicou uma de suas obras mais importantes, a peça para o teatro "A Capital Federal". 

Poesia: Redenção (Colombina - Adelaide Schloenbach Blumenschein)

 

 

Yde (Adelaide) Schloenbach Blumenschein nasceu na cidade de São Paulo em 26 de maio de 1882, vindo a falecer na madrugada do dia 14 de março de 1963, vítima de um colapso cardíaco. Filha de Otto Schloenbach e de Adelaide Augusta Dorison, Yde fez parte de seus estudos na Alemanha.

Poliglota, falava alemão, francês, inglês, espanhol e italiano. Estudou piano e canto. Poeta e cronista, ela começou a escrever aos 13 anos de idade, tendo seus primeiros poemas publicados em A Tribuna, de Santos. Colaborou em revistas e jornais como O Malho, Fon-Fon, Careta e Jornal das Moças, tendo se utilizado muitas vezes dos pseudônimos de Colombina e Paula Brasil.

 Considerada progressista e revolucionário para sua época, Yde nos presenteou com essa belíssima poesia, que nos remete ao encontro da alma com seu Divino Esposo.

A devoção à Sagrada Face de Cristo

 


(Texto copiado de https://otcarmo.org/a-devocao-a-sagrada-face-de-cristo/)

Seja através do véu de Verônica, seja pelo rosto do Santo Sudário, a devoção à face desfigurada de Cristo é uma excelente forma de meditar a Paixão, reparar as ofensas cometidas contra Nosso Senhor e ingressar na Quaresma.

Vamos nos preparar para o Carnaval de uma forma bem diferente daquela com a qual o mundo está habituado. Vamos nos preparar espiritualmente para reparar as ofensas que, infelizmente, todos os anos são cometidas contra Nosso Senhor Jesus Cristo, na véspera da Quarta-feira de Cinzas.

Oração ao Santo Anjo da Guarda do Brasil (celebrado em 7 de setembro)


Orações

Também pode ser rezada como Tríduo ou Novena. 

1. Deus Eterno e Onipotente, que destinastes a cada nação o seu Anjo da Guarda, concedei que, pela intercessão e patrocínio do Anjo do Brasil, sejamos livres de todas as adversidades. Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.
(antiga Oração Coleta da Missa em honra ao anjo da Guarda do Brasil)

2. Ó Deus, cuja providência não conhece limites,
Vós nos concedestes um anjo que vela sobre a nossa nação;
nós Vos suplicamos que, com o auxílio deste divino guardião,
conservemos a fé, a esperança e a caridade,
vivendo na paz e na concórdia nesta terra de Santa Cruz.
Por nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Filho na unidade do Espírito Santo.
Amém.

3. Santo Anjo do Brasil, vós fostes encarregado pelo PAI ETERNO de guardar esta Terra de Santa Cruz e ajudá-la a crescer e desenvolver-se conforme Seus desígnios benevolentes.

Nós cremos no vosso poder junto de DEUS e confiamos na vossa prontidão em socorrer-nos. Sede, pois, nosso guia para que cumpramos convosco a nossa missão no mundo.

Ajudai a Igreja no Brasil a anunciar CRISTO com franqueza e alegria e penetrar toda a sociedade com o fermento do Evangelho.
Afastai, com a força da Santa Cruz, todos os poderes inimigos que ameaçam o povo brasileiro.

Unimos as nossas preces às vossas. Apresentai-as diante do Trono de DEUS, para que, unidas ao sacrifício de JESUS, oferecido diariamente em nossos altares, alcancem aquelas graças que mais precisamos nesta hora de combate espiritual.

E guardai-nos, sempre debaixo do manto protetor de Nossa Senhora Aparecida, nossa Mãe e Rainha, para que permaneçamos fiéis no caminho de JESUS, o único que nos conduz da terra ao Céu. Lá na assembleia de todos os povos, unidos como uma só família de DEUS, louvaremos e agradeceremos convosco ao PAI Eterno, com seu FILHO e ESPÍRITO de Amor, por toda a eternidade. Amém.
(Com Aprovação eclesiástica. Aparecida, 28 de maio de 2012. Dom Raymundo Damasceno de Assis.)

Pai Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai

V. Sagrado Coração de Jesus, o Brasil Vos é consagrado, 
R. não o deixes cair nas mãos de vossos inimigos!

V. Virgem Aparecida, nossa Mãe e Rainha,
R. defendei o Brasil!

V. São José, que salvastes Jesus e Maria do furor de Herodes,
R. salvai o Brasil do comunismo ateu!

Rio de Janeiro, 4 de maio de 1952.
♰ JAIME, Cardeal Arcebispo


Anjo da Guarda do Brasil


Existe uma imagem do Anjo da Guarda do Brasil cuja origem não conseguimos ainda identificar, mas consta em um folheto com sua descrição, que reproduzimos aqui:

Numa mão o Anjo segura a Santa Cruz como que a implantando. Isso recorda o fato histórico e marcante da primeira grande Cruz levantada em terras brasileiras por ocasião da primeira santa Missa celebrada na praia da Coroa Vermelha no litoral sul da Bahia em 26 de abril de 1500. Portanto, símbolo querido e já presente desde o início da colonização. O Brasil no início foi chamado de “Terra de Santa Cruz”, por isso aos pés do Anjo a frase: Terra Sanctae Crucis.

Na outra mão o Anjo sustenta a pequenina imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, que de forma especial resume e caracteriza a “espiritualidade” da nação brasileira. Podemos pensar que, se os Anjos das nações, direta ou indiretamente, intervêm na formação da nação a ele confiada, podemos acreditar que este Anjo de alguma forma guiou as redes dos pescadores que achariam a preciosa imagem. Por isso a capa do Anjo tem forma de rede, que também nos Evangelhos aparece e é de profundo significado. Quem podia imaginar que de um fato tão pequeno surgiria a Padroeira e Rainha do Brasil, tão amada pelos brasileiros! A túnica do Anjo representa o “pau Brasil” de quem o Brasil toma o nome.

No seu conjunto, seja pela Cruz em forma de bastão, os peixes e o amor ardente que brota do “coração” do Anjo como uma brasa ardente, tendo em conta a oração da Súplica Ardente aos Santos Anjos, de alguma forma emerge da imagem a figura do Arcanjo São Rafael. Não que seja ele mesmo, mas certamente pode existir certa ligação entre os dois Anjos, uma vez que o Brasil foi por alguns bispos no passado consagrado a esse Arcanjo, como protetor da nação brasileira e guia dos Tobias, Ragueis e Saras brasileiros.

Por fim, vemos embaixo do manto protetor do Anjo o mapa do Brasil, mostrando assim a sua proteção e carinho pela pátria.