Poesia: A morte de Cristo (Arthur de Azevedo)

 

Artur Nabantino Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís (Maranhão) em 7 de julho de 1855 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 22 de outubro de 1908. Foi contista, poeta, dramaturgo, jornalista e tradutor.

Ao lado do irmão Aluísio Azevedo (1857-1913), fundou a Academia Brasileira de Letras (ABL), em 1897, na qual ocupou a cadeira 29 (em 1892), que tem como patrono Martins Pena (1815-1848). No ano de 1897, Azevedo publicou uma de suas obras mais importantes, a peça para o teatro "A Capital Federal". 

Defendeu a abolição da escravatura tanto em obras literárias quanto em artigos jornalísticos; lutou pela construção do Teatro Municipal do Rio de Janeiro; escreveu mais de quatro mil textos sobre eventos artísticos em jornais de grande circulação da época.

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A morte de Cristo

Pregado estava o Cristo à cruz que nos salvou;
Aproximou-se a Morte e, no auge do suplício,
Parecia hesitar e o braço retirou,
Temendo praticar o seu nefando ofício.

Mas Jesus, a cabeça inclinando, acenou
À executora atroz para que, sem flagício
Contra o Filho de Deus, que Deus nos enviou,
Pudesse consumar o negro sacrifício.

Dando um tremendo golpe a Morte obedeceu,
Abalou-se a natura e o sol empaleceu,
Qual se próximo fosse o termo deste mundo.

Tudo, tudo gemeu na terra e na amplidão;
Somente o homem mostrou ter do peito no fundo
Uma pedra, e na pedra arfava um coração!