O Setenário das Dores de Nossa Senhora é uma obra literária escrita no fim do século XIX pelo poeta brasileiro Alphonsus de Guimaraens. O livro é composto por sete poemas que retratam as dores sofridas por Nossa Senhora ao longo de sua vida, desde a profecia de Simeão até a crucificação de Jesus Cristo.
Cada poema é dedicado a uma das dores de Nossa Senhora e é escrito em versos decassílabos, seguindo a tradição literária clássica. Essa é uma obra de grande valor poético e religioso, que tem como objetivo transmitir a devoção e a admiração pelo sofrimento e sacrifício da Virgem Maria.
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ANTÍFONA
Volvo o rosto para o teu afago,
Vendo o consolo dos teus olhares...
Sê propícia para mim que trago
Os olhos mortos de chorar pesares.
A minha Alma, pobre ave que se assusta,
Veio Encontrar o derradeiro asilo
No teu olhar de Imperatriz augusta,
Cheio de mar e de céu tranqüilo.
Olhos piedosos, palmas de exílios,
Vasos de goivos, macerados vasos!
Venho pousar à sombra dos teus cílios,
Que se fecham sobre dois ocasos.
Volvo o peito para as tuas Dores
E o coração para as Sete Espadas...
Dá-me, Senhora, para os teus louvores,
A paz das Almas bem-aventuradas.
Dá-me, Senhora, a unção que nunca morre
Nos pobres lábios de quem espera:
Sê propícia para mim, socorre
Quem te adorara, se adorar pudera!
Mas eu, a poeira que o vento espalha,
O homem de carne vil, cheio de assombros,
O esqueleto que busca uma mortalha,
Pedir o manto que te envolve os ombros!
Adorar-te,* Senhora, se eu pudesse
Subir tão alto na hora da agonia!
Sê propícia para a minha prece.
Mãe dos aflitos...
Ave, Maria.
* Uma importante observação: o autor usa a palavra "adorar" em referência a Nossa Senhora, mas como católicos, sabemos que a adoração se deve somente a Deus. O termo correto deveria ser "venerar", mas acreditamos que o termo escolhido se deve à sonorização e à contagem das sílabas dentro dos versos.
