Poesias: A ovelha perdida e Prece (José Albano)


 

José Abreu Albano (1917-1979) foi um poeta e jornalista brasileiro, nascido em Fortaleza, Ceará. Albano foi membro da Academia Cearense de Letras e também exerceu cargos públicos, como o de Diretor de Bibliotecas da Secretaria de Educação do Ceará.

Sua obra poética é marcada por temas regionais e populares, com destaque para a valorização da cultura e do povo nordestino. Entre suas principais obras, estão "Canções do Tempo", "Cordéis de José Albano", "Cantigas de Amor", "Pregões do Passado" e "O Sertão e o Mar".

José Abreu Albano faleceu em Fortaleza, aos 62 anos, deixando uma importante contribuição para a literatura brasileira, em especial para a poesia nordestina.

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A Ovelha Perdida


Senhor, assim pregado ao duro lenho,
Não negas a ninguém o teu socorro;
A mim, pois, que da mágoa vivo e morro,
Dá-me o brando sossego que não tenho.

Em te amar sempre ponho todo o empenho,
Vendo do puro sangue o frio jorro,
E com suspiros aos teus braços corro
E ao pé da santa cruz deitar-me venho.
 
Olha como foi triste o meu destino,
Sem esperanças quase e sem venturas,
Apenas com os sonhos que imagino.
 
 
Lembra-te destas dores tão escuras,
De que tu és o meu Pastor divino
E de que eu sou a ovelha que procuras.


Prece

 

Bom Jesus, amador das almas puras
Bom Jesus, amador das almas mansas,
De ti vêm as serenas esperanças,
De ti vêm as angélicas doçuras.
 
 
Em toda parte vejo que procuras
O pecador ingrato e não descansas,
Para lhe dar as bem-aventuranças
Que os espíritos gozam nas alturas.
 
 
A mim, pois, que de mágoa desatino
E, noite e dia, em lágrimas me banho,
Vem abrandar o meu cruel destino,
 
 
E terminado este degredo estranho,
Tem compaixão de mim, pastor divino,
Que não falte uma ovelha ao teu rebanho!