Sob o pseudônimo de Jawień Andrzej, "A Igreja" de Karol Wojtyla foi publicado em novembro de 1963 na revista Znak, um "comentário literário sobre o Concílio Vaticano II" escrito entre 10 de outubro e 8 de dezembro de 1962, enquanto o Bispo Karol Wojtyla participava do Concílio Vaticano II (contribuindo para temas de reforma litúrgica e no debate sobre a Revelação). Somente em 1979, com a publicação do volume "Poemas e dramas" pela Znak, foi revelado o verdadeiro autor por trás do pseudônimo.
Aqui estão alguns trechos dos escritos de Karol Wojtyla:
O Muro
Um muro.
Um pedaço de muro.
Colunas planas sobem pelos nichos
Santos sedentos e profundos
Pausam em seus minutos, aspiram um gesto,
O grande Talude que emerge dos livros Abertos e nos corta.
As abóbadas não esmagam este muro,
Não pesam sobre os ombros vivos que vivem longe,
Nos quartos de seus corações cansados,
Nem pesa o abismo que agora envolve
A terra
E sempre será assim, enquanto o homem nasce
E se nutre do seio materno.
As Fontes e as Mãos
Palavras pronunciadas nos sustentam
Em tempos muito antigos
E ainda são pronunciadas com grande medo
De que nada seja mudado nelas.
Só isso?
Existem mãos invisíveis
Que nos ajudam
A remar no barco.
Cuja história, apesar dos reveses, continua seguindo seu caminho.
Basta mergulhar na fonte
Sem procurar As mãos invisíveis?
O Solo
"Quem se prepara para receber a Sagrada Ordenação se prostra completamente e apoia a testa no chão do templo, mostrando assim sua completa disponibilidade para assumir o ministério que lhe é confiado. Este rito marcou profundamente minha vida sacerdotal. Mais tarde, na Basílica de São Pedro - estávamos no início do Concílio - lembrando o momento da Ordenação sacerdotal, escrevi um poema do qual quero citar aqui um trecho:
"És tu, Pedro.
Queres ser aqui o Solo sobre o qual os outros caminham...
para chegar lá onde guias seus passos...
Queres ser aquele que sustenta os passos,
como a rocha sustenta o caminhar ruidoso de um rebanho:
Rocha é também o solo de um templo gigantesco.
E a grama é a Cruz.''
(Igreja: Os Pastores e as Fontes. Basílica de São Pedro, outono de 1962: 11.X - 8.XII, O Solo)
"Ao escrever essas palavras, pensava tanto em Pedro como em toda a realidade do sacerdócio ministerial, tentando destacar o profundo significado dessa prostração litúrgica. Nessa posição deitada em forma de Cruz antes da Ordenação, acolhendo em sua própria vida - como Pedro - a Cruz de Cristo e tornando-se com o Apóstolo "solo" para os irmãos, está o sentido mais profundo de toda a espiritualidade sacerdotal".
