Novena em honra ao Divino Espírito Santo: 4º dia


 


Escrita por santa Elena Guerra, em preparação à solenidade de Pentecostes


† Sinal da Cruz


Oração inicial:

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra!

Oremos: Deus que instruístes os corações dos Vossos fiéis, com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas, segundo o mesmo Espírito, e gozemos sempre de Suas consolações, por Cristo, Senhor Nosso. Amém!

Apresente as suas intenções. Peça também pelas intenções do santo padre, o papa, do bispo diocesano e do nosso Apostolado.


Oração antes da meditação

Ó Divino Espírito, que pela Igreja sois chamado Criador, não somente porque és em relação a nós, criaturas, mas também porque movendo nas nossas almas, santos pensamentos e afetos, criais em nós aquela santidade que é obra Vossa! Venha também sobre nós a Vossa benéfica virtude e, enquanto nós Vos honrarmos com este devoto exercício, digne-se a visitar com a Vossa Divina Luz a nossa mente e com Vossa Suprema Graça o nosso coração, para que as nossas orações subam agradáveis a Vós e, do Céu, desça sobre nós a abundância de Vossas divinas misericórdias. Amém!


Meditações

O Espírito Santo é o doador dos dons


Sendo próprio do amor beneficiar e repartir dons, isso acontece principalmente com o Amor por excelência que é o Espírito Santo. E o faz para com as criaturas pobres e necessitadas que se confiam a tão grande Provedor, aquele que concede não só aquilo que lhe é pedido, mas dá em abundância diante de cada pedido e de cada desejo.

São seus verdadeiros devotos aqueles que d’Ele recebem um filial Temor que os afasta do pecado, que recebem uma fervorosa Piedade que os faz mais queridos a Deus e benevolentes com o próximo, uma Ciência que endereça os próprios juízos e faz com que vejam claramente as coisas de Deus, uma sobre-humana Fortaleza onde todo obstáculo seja superado, o celeste Conselho para distinguir os movimentos da graça e para eleger prudentemente os meios mais apropriados para a Salvação. Recebem enfim, um sobrenatural Intelecto, que é sustento para a fé e luz para a vontade, e uma Sabedoria celeste que os leva a conformar os pensamentos e vontades ao divino Beneplácito, colocando-os em perfeito acordo com Deus.

Como então, tendo um Benfeitor assim tão extenso de graças e de Dons, nós somos tão pobres? Pobre é o nosso espírito de celestes dons, paupérrimo é o nosso coração de virtudes, pobre e nua de méritos é nossa alma! Mas de onde então surge a pobreza, enquanto estão abertos diante de nós os tesouros do Paráclito e o Doador de todo bem que infinitamente nos ama? Sim, o Espírito Santo nos ama infinitamente e concede os seus melhores dons àqueles que os desejam, a quem pede, a quem fielmente a eles correspondem.

Com uma mão no coração, ó cristão, reconheça a tua pobreza espiritual e diga como correspondestes às inspirações, às luzes, às graças do Paráclito. Desejaste ardentemente seus preciosos dons? Pediste com fervorosa e constante oração? Afastaste teu coração das coisas da terra para te enriquecer dos tesouros do céu? Reflete e responde.


Momento para meditação pessoal

Confesso, ó Amante Supremo dos homens, confesso que a deplorável pobreza desta alma é pobreza consciente, eu mesmo me sujei, porque não só não apreciei, não desejei e não pedi com favores celestes, riquezas que Vós tão amorosamente derramais nas vossas criaturas, mas fiz pior ainda: eu que recebi tantas vezes da Vossa doce liberdade, tantos dons, inspirações e graças, não Vos correspondi e, como servo ingrato do Evangelho, enterrei os Vossos dons na lama mais negligente da minha preguiça e na acídia da minha inércia. Ó meu Deus, quanto mal eu fiz à Vossa infinita bondade e quanto mal eu fiz a mim mesmo.

Mas Vós sois o Amor, o Amor onipotente. Não queira castigar este servo infiel mas, aceitando meu arrependimento, ao qual uno à promessa de corresponder para o futuro aos Vossos Dons, curai, ó Bondade Infinita, os danos da minha infidelidade passada e tornai a enriquecer-me benignamente dos Vossos Dons.

Se oportuno, faz-se um momento de oração e meditação pessoal.


Oração Final:

Ó prometido e suspirado Consolador, Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, que escutando a unânime oração dos discípulos do Salvador, fraternalmente reunidos no Cenáculo, descestes para consolar e santificar a Igreja nascente: sede propício às nossas súplicas, reacendei o Vosso Divino Fogo nos corações dos homens. Fazei resplandecer a Vossa luz até os confins da Terra, chamai novamente ao seio da Mãe Igreja Romana todas as igrejas separadas.

Ó Espírito Santo, que sois o Amor, piedade de tanta mediocridade e de tantas almas que se perdem! Fazei com que rapidamente aconteça aquilo que Davi profetizava dizendo: “Mandai o Teu Espírito”. Fazei-nos novas criaturas e assim renovareis a face da Terra. A partir desta consoladora profecia, unidos em oração, como nos ensina a Igreja, com plena confiança repitamos: enviai o Vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da Terra!

Reza-se o Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai.


Encerramento (Veni Creator)

em português

Vem, Espírito Criador!


Vinde Espírito Criador, a nossa alma visitai

e enchei os corações com vossos dons celestiais.


Vós sois chamado o Intercessor de Deus excelso dom sem par,

a fonte viva, o fogo, o amor, a unção divina e salutar.


Sois o doador dos sete dons e sois poder na mão do Pai,

por Ele prometido a nós, por nós seus feitos proclamai.


A nossa mente iluminai, os corações enchei de amor,

nossa fraqueza encorajai, qual força eterna e protetor.


Nosso inimigo repeli, e concedei-nos a vossa paz,

se pela graça nos guiais, o mal deixamos para trás.


Ao Pai e ao Filho Salvador, por vós possamos conhecer

que procedeis do Seu amor, fazei-nos sempre firmes crer.

Amém!


Em latim

Veni Creator Spiritus! 


Veni, creátor Spíritus

mentes tuórum vísita,

imple supérna grátia,

quæ tu creásti, péctora.


Qui díceris Paráclitus,

altíssimum donum Dei,

fons vivus, ignis, cáritas

et spiritális únctio.


Tu septifórmis múnere,

digitus patérnæ déxteræ,

tu rite promíssum Patris

sermóne ditans gúttura.


Accénde lumen sénsibus,

infúnde amórem córdibus,

infírma nostri córporis

virtúte firmans pérpeti.


Hostem repéllas lóngius

pacémque dones prótinus;

dúctore sic te prævio,

vitémus omne nóxium.


Per te sciámus da Patrem

noscámus atque Fílium,

teque utriúsque Spíritum

credámus omni témpore.