Trecho do "Canto ao Deus oculto", de Karol Wojtyla (São João Paulo II)

Karol Wojtyla em sua juventude

Desde a infância, o jovem Karol Wojtyla, que mais tarde se tornaria o papa João Paulo II, se interessava pelas artes e pelas Letras. Uma de suas paixões era a poesia, e nos deixou diversas escritas, com significado profundo e beleza. Uma das mais conhecidas é o "Canto ao Deus oculto", do qual trazemos um trecho abaixo:


"Leva-me, Mestre, a Éfrem e permite-me lá ficar contigo,

onde os silêncios da costa distante caem nas asas dos pássaros,

como o verde, como a onda exuberante, intocada pelo remo,

como o amplo círculo na água, que a sombra do medo não espanta.


Porque desejo abrir espaço

para as Tuas mãos estendidas,

porque quero aproximar a eternidade

para que receba o Teu sopro.


O Senhor, ao brotar no coração,

é como uma flor, sedenta do calor do sol.

Venha, pois, oh Luz da profundeza do dia incompreensível,

e apoie-se na minha margem.

Arda, não demasiadamente próximo do céu

e tampouco longe demais.


O Amor tudo esclareceu,

o Amor tudo solucionou.

Por isso glorifico o Amor,onde estiver.


Guarda, coração, esse olhar,

no qual a eternidade te espera".