Novena em honra a são Luís e santa Zélia Martin: 2º dia

 

São Luís e santa Zélia no dia
do casamento

Oração inicial:

Santos Luís e Zélia Martin, após sentirem o desejo da vida religiosa, escutastes o chamado do Senhor à vocação matrimonial, vós que sois pais incomparáveis, como nos fala nossa filha Santa Teresinha do Menino Jesus, felizes pais de Leonia, a serva de Deus irmã Francisca Tereza, de Maria, Paulina e Celina transplantadas sobre a montanha do Carmelo e de outras quatro crianças, retiradas da vossa afeição em tenra e idade, Helena, José, João Batista e Melani Teresa. 

Novena em honra a são Luís e santa Zélia: 1º dia

 


Primeiro dia:

Oração inicial:

Santos Luís e Zélia Martin, após sentirem o desejo da vida religiosa, escutastes o chamado do Senhor à vocação matrimonial, vós que sois pais incomparáveis, como nos fala nossa filha Santa Teresinha do Menino Jesus, felizes pais de Leonia, a serva de Deus irmã Francisca Tereza, de Maria, Paulina e Celina transplantadas sobre a montanha do Carmelo e de outras quatro crianças, retiradas da vossa afeição em tenra e idade, Helena, José, João Batista e Melani Teresa.  

São Luís Martin e santa Zélia Guérin, exemplos de esposos santos

 

São Luís Martin e santa Zélia Guérin


No dia 12 de julho se comemora o casal são Luís Martin e santa Zélia Guérin, os pais de Santa Teresinha do Menino Jesus. Eles foram o primeiro casal a ser canonizado em uma mesma cerimônia na história da Igreja, mas é importante frisar, não são o primeiro casal a serem santos (essa honra cabe a Nossa Senhora e são José, e há inúmeros outros exemplos na história da Igreja).

Alguns conselhos para solteiros (que não querem ficar solteiros)

 



Muitas vezes, basta uma ideia ou um pequeno truque: aqui estão algumas dicas práticas, psicológicas e espirituais para colocar as suas cartas na mesa e preparar-se para o "grande encontro"


"Sou responsável pelo que não fui", disse Bernanos no seu leito de morte. Uma frase dura e exigente, que confronta a pessoa com a sua responsabilidade perante sua própria vida.


Uma ideia que pode chocar muitos solteiros e solteiras, que sofrem por não ter encontrado o amor, uma vez que por vezes o desejaram ardentemente. Como se alguém tivesse qualquer poder sobre a vida amorosa!

10 dicas para um namoro feliz

 




Conselhos de pura sabedoria, anote aí


1. Só comece a namorar quando tiver a convicção de que quer, um dia, se casar. Sem um objetivo na vida, tudo o que fazemos fica vazio; o namoro também: se não tem uma meta, não tem sentido.


2. Antes de começar a namorar alguém, conheça-o bem por meio de uma boa amizade. É na amizade que surge o namoro, e ela serve também como um pré-namoro. Não seja afoito, não comece a namorar só porque o outro tocou seu coração. Conheça-o primeiro.

Manual do namoro para o homem católico

 


 

Manual do namoro para o homem católico


O mundo carece de boas referências masculinas. A todo momento, a mídia nos propõe ideais de virilidade completamente desordenados. Ora é o “pegador”, ora é o frouxo efeminado e tíbio.

Hoje em dia, nossa educação não nos prepara para as coisas sólidas. Para o amor, para o compromisso e sacrifício. Mas ainda assim, o nosso coração anseia por essas coisas. É nossa natureza, fomos criados para o amor.

Se você anseia por doar sua vida na família, como pai e esposo, esse texto é uma humilde contribuição para sua caminhada. A família começa a ser construída no namoro.

O chamado ao matrimônio é uma nobre vocação. E como todo chamado de Deus, demanda que você escute e saia do seu lugar. Um namoro santo demanda sair de si mesmo, combater as próprias limitações, com oração, mortificação e prática das virtudes. Demanda autoconhecimento, discernimento, prudência. Demanda, enfim, uma busca pela conversão.

Façamos um pequeno itinerário.

Assunção de Nossa Senhora aos céus: Catequeses de são João Paulo II

 




JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA

Quarta-feira 9 de Julho de 1997

A Assunção de Maria na tradição da Igreja


   

Queridos Irmãos e Irmãs,

1. A perene e coral tradição da Igreja evidencia o modo como a Assunção de Maria faz parte do desígnio divino e está arraigada na singular participação de Maria na missão do Filho. Já no primeiro milênio os autores sagrados se exprimem neste sentido.

Testemunhos, na verdade apenas delineados, encontram-se em Santo Ambrósio, Santo Epifânio e Timóteo de Jerusalém. São Germano de Constantinopla († 733) coloca nos lábios de Jesus, que Se prepara para levar a Sua Mãe para o céu, estas palavras: «É preciso que onde estou Eu, também tu estejas, Mãe inseparável de teu Filho...» (Homil. 3 in Dormitionem, PG 98, 360).

Além disso, a mesma tradição eclesial vê na maternidade divina a razão fundamental da Assunção.

Desta convicção encontramos um vestígio interessante em uma narração apócrifa do século V, atribuída ao pseudo-Melitão. O autor imagina Cristo que interroga Pedro e os Apóstolos sobre a sorte merecida por Maria, e deles obtém esta resposta: «Senhor, escolhestes esta Tua serva a fim de que se torne para Ti uma residência imaculada... Portanto, pareceu-nos justo, a nós Teus servos que, assim como Tu reinas na glória depois de teres vencido a morte, Tu ressuscitas o corpo de Tua Mãe e conduze-a jubilosa Contigo ao céu» (De transitu V. Mariae, 16 PG 5, 1238). Portanto, pode-se afirmar que a divina maternidade, que tornou o corpo de Maria a residência imaculada do Senhor, se funde com o seu destino glorioso.

2. Num texto rico de poesia, São Germano afirma que é o afeto de Jesus pela sua Mãe que exige a presença de Maria no céu com o Filho divino: «Assim como uma criança procura e deseja a presença de sua mãe, e como uma mãe ama viver em companhia de seu filho, assim também para ti, cujo amor materno pelo teu Filho e Deus não deixa dúvidas, era conveniente que tu voltasses para Ele. E, em todo o caso, não era porventura conveniente que este Deus, que provava por ti um amor deveras filial, te tomasse em Sua companhia?» (Homil. 1 in Dormitionem, PG 98, 347). Num outro texto, o venerando autor integra o aspecto privado da relação entre Cristo e Maria, com a dimensão salvífica da maternidade, afirmando que «era necessário que a Mãe da Vida compartilhasse a habitação da Vida» (Ibid., PG 98, 348).

3. Segundo alguns Padres da Igreja, outro argumento que fundamenta o privilégio da Assunção pode-se deduzir da participação de Maria na obra da redenção. São João Damasceno sublinha a relação entre a participação na Paixão e a a sorte gloriosa: «Era necessário que aquela que vira o seu Filho sobre a cruz e recebera em pleno coração a espada da dor... contemplasse este Filho sentado à dextra do Pai» (Homil. 2, PG 96, 741). À luz do Mistério pascal, parece de modo particularmente evidente a oportunidade que, com o Filho, também a Mãe fosse glorificada depois da morte.

O Concílio Vaticano II, recordando na Constituição dogmática sobre a Igreja o mistério da Assunção, chama a atenção para o privilégio da Imaculada Conceição: precisamente porque fora «preservada de toda a mancha de culpa original» (LG, 59), Maria não podia permanecer como os outros homens no estado de morte até ao fim do mundo. A ausência do pecado original e a santidade, perfeita desde o primeiro momento da existência, exigiam para a Mãe de Deus a plena glorificação da sua alma e do seu corpo.

4. Olhando para o mistério da Assunção da Virgem é possível compreender o plano da Providência divina relativa à humanidade: depois de Cristo, Verbo encarnado, Maria é a primeira criatura humana que realiza o ideal escatológico, antecipando a plenitude da felicidade, prometida aos eleitos mediante à ressurreição dos corpos.

Na Assunção da Virgem, podemos ver também a vontade divina de promover a mulher.

Em analogia a quanto se verificara na origem do gênero humano e da história da salvação, no projeto de Deus o ideal escatológico devia revelar-se não em um indivíduo, mas num casal. Por isso, na glória celeste, ao lado de Cristo ressuscitado há uma mulher ressuscitada, Maria: o novo Adão e a nova Eva, primícias da ressurreição geral dos corpos da humanidade inteira.

Sem dúvida, a condição escatológica de Cristo e a de Maria não devem ser postas no mesmo plano. Maria, nova Eva, recebeu de Cristo, novo Adão, a plenitude de graça e de glória celeste, tendo sido ressuscitada pelo poder soberano do Filho mediante o Espírito Santo.

5. Embora sejam sucintas, estas observações permitem-nos esclarecer que a Assunção de Maria revela a nobreza e a dignidade do corpo humano. Diante das profanações e do aviltamento a que a sociedade moderna não raro submete em particular o corpo feminino, o mistério da Assunção proclama o destino sobrenatural e a dignidade de cada corpo humano, chamado pelo Senhor a tornar-se instrumento de santidade e a participar na Sua glória.

Maria entrou na glória porque escutou no seu seio virginal e no seu coração o Filho de Deus. Olhando para ela, o cristão aprende a descobrir o valor do próprio corpo e a preservá-lo como templo de Deus, na expectativa da ressurreição.

A Assunção, privilégio concedido à Mãe de Deus, constitui assim um imenso valor para a vida e o destino da humanidade.

Maria, Mãe de Deus: Catequeses de São João Paulo II

 



JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 27 de novembro de 1996

Maria, Mãe de Deus


(Leitura:
Evangelho de São Lucas, capítulo 1,
versículos 34-35)


1. A contemplação do mistério do nascimento do Salvador impulsionou o povo cristão não só a dirigir-se à Santíssima Virgem como Mãe de Jesus, mas também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e percebida, já desde os primeiros séculos da era cristã, como parte integrante do patrimônio de fé da Igreja, ao ponto de ser proclamada solenemente no ano 431 pelo Concílio de Éfeso.

A Virgindade de Nossa Senhora - Catequeses de São João Paulo II


 

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 24 de julho de 1996

O Propósito de Virgindade

 

1. Ao anjo que anuncia a concepção e o nascimento de Jesus, Maria faz uma pergunta: "Como acontecerá isso? Pois não conheço homem" (Lc 1, 34). Tal questionamento é, para dizer o mínimo, surpreendente quando consideramos os relatos bíblicos que narram o anúncio de um nascimento extraordinário a uma mulher estéril. Nos casos mencionados, trata-se de mulheres casadas, naturalmente estéreis, às quais o dom de um filho é concedido por Deus através da vida conjugal normal (cf. 1 Sm 1, 19-20), em resposta a fervorosas orações (cf. Gn 15, 2; 30, 22-23; 1 Sm 1, 10; Lc 1, 13).

A Imaculada Conceição - Catequese de São João Paulo II


 

JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 29 de maio de 1996

A Imaculada Conceição

  1. Na reflexão doutrinal da Igreja do Oriente, a expressão "cheia de graça", como vimos nas catequeses anteriores, foi interpretada, desde o século VI, no sentido de uma santidade singular que envolve Maria em toda a sua existência. Ela inaugura assim a nova criação.

Ao lado do relato lucano da Anunciação, a Tradição e o Magistério apontaram no chamado Protoevangelho (Gn 3, 15) uma fonte escritural da verdade da Imaculada Conceição de Maria. Este texto inspirou, a partir da antiga versão latina: "Ela te esmagará a cabeça", muitas representações da Imaculada que esmaga a serpente sob seus pés.

Já mencionamos anteriormente como esta versão não corresponde ao texto hebraico, no qual não é a mulher, mas sim a sua descendência, o seu descendente, que esmagará a cabeça da serpente. Este texto atribui, portanto, não a Maria, mas ao seu Filho, a vitória sobre Satanás. No entanto, como a concepção bíblica pressupõe uma profunda solidariedade entre o progenitor e a sua descendência, a representação da Imaculada que esmaga a serpente, não por virtude própria, mas pela graça do Filho, é coerente com o sentido original do texto.

A perfeita santidade de Maria - Catequese de são João Paulo II

 


JOÃO PAULO II

AUDIÊNCIA GERAL

Quarta-feira, 15 de maio de 1996

A perfeita santidade de Maria



1. Em Maria, "cheia de graça", a Igreja reconheceu "a toda santa e imune de toda mancha de pecado", "adornada desde o primeiro instante de sua conceição pelos esplendores de uma santidade absolutamente singular" (LG 56).

Este reconhecimento exigiu um longo caminho de reflexão doutrinal, que finalmente levou à proclamação solene do dogma da Imaculada Conceição.

O título "cheia de graça", dirigido pelo anjo a Maria na Anunciação, sugere o excepcional favor divino concedido à jovem de Nazaré em vista da maternidade anunciada, mas indica mais diretamente o efeito em Maria da graça divina; Maria foi intimamente e permanentemente permeada pela graça e, portanto, santificada. A qualificação kecharitoméne tem um significado denso, que o Espírito Santo nunca deixou de aprofundar pela Igreja.

A pessoa humana criada à imagem de Deus: A responsabilidade pelo mundo criado


 

Comunhão e Serviço: A pessoa humana criada à imagem de Deus

O documento "Comunhão e Serviço: A pessoa humana criada à imagem de Deus" foi publicado em 2020 pela Comissão Teológica Internacional, que é um órgão consultivo da Congregação para a Doutrina da Fé, que tem a função de auxiliar o Magistério da Igreja em questões doutrinárias.

Este documento reflete sobre o ensino oficial da Igreja Católica sobre a dignidade da pessoa humana criada à imagem de Deus.



2) A responsabilidade pelo mundo criado

71. Os vertiginosos progressos científicos e tecnológicos dos últimos cento e cinquenta anos tiveram como resultado uma situação radicalmente nova para os seres que vivem neste planeta. Melhorias como por exemplo maior abundância material, uma qualidade de vida mais alta, melhores condições de saúde e uma expectativa de vida maior foram acompanhadas pela poluição atmosférica e das águas, pelo problema dos detritos industriais tóxicos, pela exploração e às vezes pela destruição de habitat delicados. Nesta situação, os seres humanos desenvolveram uma consciência mais aguda dos laços orgânicos que os unem aos outros seres vivos. Contempla-se agora a natureza como uma biosfera em todos os seres formam uma rede de vida, complexa e todavia cuidadosamente organizada. Agora, além disso, é fato pacificamente admitido que existem limites tanto para os recursos naturais disponíveis como também para a capacidade da natureza para reparar os danos causados a ela através da incessante exploração de seus recursos.

72. Infelizmente, uma das consequências desta nova sensibilidade ecológica é que o cristianismo foi por alguns acusado de ser em parte responsável pela crise ambiental, justamente por ter realçado a posição do homem, criado à imagem para governar a criação visível. Chegam alguns críticos ao ponto de dizerem que na tradição católica está faltando uma sólida ética ecológica enquanto o homem é considerado essencialmente superior ao resto do mundo natural, e que para tal ética será necessário voltar-se para as religiões asiáticas e tradicionais.

73. Essa crítica, porém, se baseia em uma leitura profundamente errada da teologia cristã da criação e da imago Dei. Falando da necessidade de uma “conversão ecológica”, afirmou João Paulo II: “O senhorio do ser humano não é absoluto, mas ministerial [...], é a missão não de um senhor absoluto e inquestionável, mas de um ministro do Reino de Deus” (Audiência Geral de 17 de janeiro de 2001). É possível que uma errônea maneira de compreender este ensinamento tenha levado alguns a agirem de modo irresponsável em face do ambiente natural, mas a doutrina cristã sobre a criação e sobre a imago Dei jamais estimulou a exploração descontrolada e o esgotamento dos recursos naturais. As observações de João Paulo II refletem a crescente atenção com a qual o Magistério acompanha a crise ecológica, preocupação que encontra suas raízes já nas Encíclicas sociais dos modernos pontificados. Na perspectiva desse ensino, a crise ecológica é um problema humano e social, ligado à violação dos direitos humanos e à desigualdade no acesso aos recursos naturais. O Papa João Paulo II recapitulou esta tradição do magistério social da Igreja quando escreveu na Centesimus annus: “Igualmente preocupante, junto com o problema do consumismo e com ele estreitamente conexo, é a questão ecológica. O homem, dominado pelo desejo de ter e gozar, mais que pelo desejo de ser e crescer, consome de modo exagerado e desordenado os recursos da terra e a sua própria vida. Na raiz da insensata destruição do ambiente natural está um erro antropológico, infelizmente muito difundido em nossa época. O ser humano, que descobre sua capacidade de transformar e, em certo sentido, criar o mundo com seu próprio trabalho, esquece que este sempre se desenvolve na base da primeira originária doação das coisas por Deus” (CA 37).

74. A teologia cristã da criação contribui de modo direto para a solução da crise ecológica, ao afirmar a verdade fundamental que a criação visível é, ela mesma, dom divino, o “dom originário”, que fixa um “espaço” de comunhão pessoal. Poder-se-ia, com efeito, dizer que uma correta teologia cristã da ecologia é dada pela aplicação da teologia da criação. Observe-se como o termo “ecologia” combina as duas palavras gregas oikos (casa) e logos (palavra): o ambiente físico da existência humana poderia ser visto como uma espécie de “casa”, “habitação” para a vida humana. Considerando-se que a vida íntima da Santíssima Trindade é uma vida de comunhão, o ato divino da criação é a produção gratuita de parceiros que poderão compartilhar essa comunhão. Pode-se dizer, neste sentido, que a divina comunhão agora encontrou a sua “habitação” no mundo criado. Por esse motivo, pode-se falar do cosmos como de um lugar de comunhão pessoal.

75. A cristologia e a escatologia podem em conjunto iluminar ainda mais essa verdade. Na união hipostática da Pessoa do Filho com a natureza humana, Deus vem a este mundo e assume a corporeidade que Ele mesmo criou. Na Encarnação, através do Filho Unigênito, nascido da Virgem Maria através do poder do Espírito Santo, o Deus Uno e Trino cria a possibilidade de uma comunhão íntima e pessoal com os seres humanos.

Visto que Deus quis benignamente elevar pessoas criadas à participação dialógica em sua vida, Ele deve, por assim dizer, descer até o nível da criatura. Alguns teólogos falam desta divina condescendência como de uma forma de “hominização” mediante a qual Deus torna livremente possível a nossa divinização. Deus não só manifesta a sua glória no cosmos através de atos teofânicos, mas também assumindo-lhe a corporeidade. Nesta perspectiva cristológica, a “hominização” de Deus é um ato de solidariedade, não só com pessoas criadas, mas com todo o universo criado e o seu destino histórico. Não só, mas na perspectiva escatológica, a segunda vinda de Cristo pode ser vista como o evento em que Deus fixa fisicamente morada no universo levado à perfeição, que leva a pleno termo o plano original da criação.

76. Longe de incentivar uma exploração desregrada e antropocêntrica do ambiente natural, a teologia da imago Dei afirma o papel crucial do ser humano na realização deste fixar eterna morada no universo levado à perfeição por Deus. Os seres humanos, pelo plano divino, são os administradores dessa transformação pela qual anseia todo o mundo criado. Não só os seres humanos, mas todo o conjunto da criação visível é chamado a participar da vida divina. “Com efeito, sabemos que toda a criação, até o presente, está gemendo como que em dores de parto, e não somente ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nosso íntimo, esperando a condição filial, a redenção de nosso corpo” (Rm 8,22-23). Segundo a perspectiva cristã, a nossa responsabilidade ética para com o ambiente natural, “morada da nossa existência”, encontra portanto suas raízes em uma profunda compreensão teológica da criação visível e do nosso lugar dentro dela.

77. Referindo-se a esta responsabilidade em uma importante passagem da Evangelium vitae, eis o que escreveu João Paulo II: “Chamado a cultivar e a guardar o jardim do mundo (cf. Gn 2,15), o ser humano tem específica responsabilidade sobre o ambiente vital, ou seja, sobre a criação que Deus colocou a serviço da sua dignidade pessoal [...]. É a questão ecológica – desde a preservação dos habitat naturais das diversas espécies animais e das várias formas de vida até a ecologia humana propriamente dita – que encontra na página bíblica uma luminosa e forte indicação ética para uma solução respeitosa do grande bem da vida, de toda vida [...]. Em face da natureza visível, estamos submetidos a leis não só biológicas, mas também morais, que não podem ser impunemente transgredidas” (EV 42).

78. Em última análise, deve-se observar que a teologia não poderá oferecer uma solução técnica para a crise ambiental. Todavia, como vimos também, pode a teologia ajudar-nos a ver o nosso ambiente natural tal como Deus o vê, como o espaço de uma comunhão pessoal em que os seres humanos, criados à imagem de Deus, devem procurar a comunhão recíproca e a perfeição final do universo visível.

79. Esta responsabilidade se estende ao mundo animal. Os animais são criaturas de Deus e, segundo as Escrituras, Ele os cerca com providenciais atenções (cf. Mt 6,26). Os seres humanos deveriam acolhê-los com gratidão e dar graças a Deus pela existência deles, adotando mesmo uma atitude de agradecimento em relação a cada elemento do mundo criado. Com sua própria existência os animais bendizem a Deus e lhe dão glória: “Bendizei, pássaros todos do céu, o Senhor [...]. Bendizei, animais todos, selvagens e domésticos, o Senhor” (Dn 3,80-81). Além disso, a harmonia que o homem deve estabelecer ou restabelecer, no conjunto da criação, inclui também a sua relação com os animais. Quando Cristo vier em sua glória, ele “recapitulará” toda a criação em um momento de harmonia, escatológico e definitivo.

80. Apesar disso, existe uma diferença escatológica entre os seres humanos e os animais, dado que apenas o ser humano é criado à imagem de Deus, e Deus lhe deu o domínio sobre o mundo animal (cf. Gn 1,26-28; Gn 2,19-20). Repisando a tradição cristã com relação ao justo uso dos animais, eis o que afirma o Catecismo da Igreja Católica: “Deus entregou os animais àquele que Ele criou à sua imagem. É portanto legítimo servir-se dos animais para prover ao sustento ou para confeccionar vestes. Podem ser domesticados, para ajudarem o homem nos seus trabalhos e também para se distrair no seu lazer” (CdIC 2417). Este trecho cita, além disso, o legítimo uso de animais para a experimentação médica e científica, sempre reconhecendo porém que “é contrário à dignidade humana infligir sofrimento inútil aos animais” (CdIC 2418). Portanto, seja qual for o modo de servir-se dos animais, é necessário sempre deixar-se guiar pelos princípios já ilustrados; a soberania humana sobre o mundo animal é essencialmente uma administração da qual os seres humanos deverão prestar contas a Deus, que é o Senhor da criação no sentido mais autêntico.

Fonte: Comissão Teológica Internacional, 2004.