Os eventos centrais da nossa redenção
Queridos irmãos e irmãs no Senhor!
Hoje, Quarta-feira Santa, convida-nos a meditar juntos sobre as realidades que vamos reviver durante esta semana, chamada "santa" porque nela comemoramos os eventos centrais da nossa redenção. Na vida da humanidade, nada mais significativo e valioso ocorreu. A morte e a ressurreição de Cristo são os eventos mais importantes da história.
Começa amanhã o tríduo da paixão e ressurreição do Senhor, que - como está escrito no Missal Romano - "uma vez que Jesus Cristo realizou a obra da redenção dos homens e a glorificação perfeita de Deus principalmente por seu mistério pascal, pelo qual morrendo destruiu nossa morte e ressuscitando restaurou a vida, o tríduo santo pascal da paixão e ressurreição do Senhor é o ponto culminante de todo o ano litúrgico. A preeminência que o domingo tem na semana é a mesma que a solenidade da Páscoa tem no ano litúrgico" (Normas gerais, n. 18).
Portanto, desejo exortá-los a viver intensamente os próximos dias, para que deixem uma marca profunda em suas mentes que oriente suas vidas. Entrem com empenho na atmosfera mística do tríduo pascal: na manhã da "Quinta-feira Santa", em todas as catedrais do mundo, o bispo celebra junto com os padres da diocese a "Missa Crismal", para comemorar a instituição do sacerdócio e para consagrar os óleos sagrados necessários para a ordenação, a confirmação e a unção dos enfermos. Depois, à tarde, na Missa "in Cena Domini", vocês podem reviver com profunda fé a instituição da Eucaristia, prestando em seguida seu tributo de amor e adoração ao Santíssimo Sacramento e respondendo assim ao convite de Jesus na dramática noite de sua agonia no Jardim: "Fiquem aqui e vigiem comigo" (Mt 26, 38). Em seguida, a Sexta-feira Santa é um dia de grande comoção, porque a Igreja nos convida a ouvir novamente a narrativa da Paixão segundo João, a adorar a Cruz, a orar por toda a Igreja, a participar com a Virgem Dolorosa no Sacrifício do Gólgota. Finalmente, as maravilhosas cerimônias do Sábado Santo enchem o coração de alegria suave com a bênção do fogo, a procissão do círio pascal na penumbra da igreja e o acendimento das velas ao som do "Lumen Christi", o solene pregão, o canto das ladainhas, a bênção da água batismal e, finalmente, a "Missa do Aleluia" com o canto festivo do "Glória" e a comunhão eucarística com Cristo ressuscitado. Todo o tríduo, permeado por profunda tristeza e alegria mística, desemboca então na solenidade central do Domingo de Páscoa, onde os eventos fundamentais da "história da salvação", ou seja, a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, a Paixão e a Morte na cruz e a gloriosa ressurreição, transbordam em nossos corações com o hino da exultação e gratidão.
Considerem como um dever participar dos ritos da Semana Santa, deixando de lado outros interesses e compromissos, convencidos de que a liturgia realmente purifica os sentimentos, eleva as aspirações, faz sentir a beleza da fé cristã e o desejo do céu.
O cristão é aquele que compreendeu que é Cristo quem salva a humanidade e, portanto, não pode viver sem a Páscoa. Desde os primeiros tempos da Igreja, a Páscoa foi celebrada de forma eminente, a festa por "excelência": no terceiro século começou a ter sua fisionomia típica, com a celebração comunitária dos batismos na noite de Páscoa: era a teologia batismal de São Paulo que estava emergindo, entendida como a incorporação à morte e sepultamento de Cristo, para depois ressurgir com Ele para a nova vida da "graça". Celebrar a Páscoa significa encontrar-se com Cristo para ressurgir com Ele para a nova vida, buscando as coisas do alto... pensando nas coisas do alto (cf. Col 3, 1).
Recordando agora especialmente o dia de amanhã, Quinta-feira Santa, desejo terminar convidando-os de coração a amar cada vez mais seus sacerdotes. A vocação sacerdotal é certamente paz e alegria, mas também cruz e martírio. Com efeito, o sacerdote é totalmente consagrado a Cristo e age com os mesmos poderes e a mesma missão Dele: aqui está sua grandeza e dignidade, mas também sua paixão e agonia. Portanto, estejam unidos aos seus sacerdotes, amem-nos, estimem-nos, apoiem-nos e, sobretudo, rezem por eles.
Como sabem, enviei-lhes uma "Carta", que evoca o Santo Cura d'Ars, neste segundo centenário de seu nascimento. Pois bem, precisamente João Batista Vianney dizia: "Como é grande um sacerdote! O sacerdote só será verdadeiramente compreendido no céu. Se o compreendêssemos na terra, morreríamos não de espanto, mas de amor. Todos os outros benefícios de Deus não nos serviriam de nada sem o sacerdote. Para que serve uma casa cheia de ouro se não houver alguém que possa abrir a porta para nós? O sacerdote possui a chave dos tesouros celestiais e nos abre a porta; ele é o mordomo do bom Deus; o administrador de seus bens... Depois de Deus, o sacerdote é tudo!" (Alfred Monnin, Spirito del Curato d'Ars, Ares, Roma, 1956, pág. 82).
Que a Virgem Santíssima, que seguiu Jesus em sua paixão e esteve presente ao pé da cruz em sua morte, os acompanhe no caminho do tríduo em direção à alegria jubilosa da Páscoa, para a qual envio minhas calorosas felicitações.
Com minha bênção apostólica!
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