São José, patrono universal da Santa Igreja



 QUEMADMODUM DEUS

Decreto de S.S. o Papa Pio IX

Proclamando São José como Patrono da Igreja

À Cidade e ao Mundo

Da mesma maneira que Deus havia constituído José, gerado do patriarca Jacó, superintendente de toda a terra do Egito para guardar o trigo para o povo, assim, chegando a plenitude dos tempos, estando para enviar à terra o seu Filho Unigênito Salvador do mundo, escolheu um outro José, do qual o primeiro era figura, o fez Senhor e Príncipe de sua casa e propriedade e o elegeu guarda dos seus tesouros mais preciosos.

De fato, ele teve como sua esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual nasceu pelo Espírito Santo, Nosso Senhor Jesus Cristo, que perante os homens dignou-se ter sido considerado filho de José, e lhe foi submisso. E Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver, José não só viu, mas com Ele conviveu e com paterno afeto abraçou e beijou; e além disso, nutriu cuidadosamente Aquele que o povo fiel comeria como pão descido dos céus para conseguir a vida eterna. Por esta sublime dignidade, que Deus conferiu a este fidelíssimo servo seu, a Igreja teve sempre em alta honra e glória o Beatíssimo José, depois da Virgem Mãe de Deus, sua esposa, implorando a sua intercessão em momentos difíceis.

E agora, nestes tempos tristíssimos em que a Igreja, atacada de todos os lados pelos inimigos, é de tal maneira oprimida pelos mais graves males, a tal ponto que homens ímpios pensam ter finalmente as portas do Inferno prevalecido sobre ela, é que os Veneráveis e Excelentíssimos Bispos de todo o mundo católico dirigiram ao Sumo Pontífice as suas súplicas e as dos fiéis por eles guiados, solicitando que se dignasse constituir São José como Patrono da Igreja Católica. Tendo depois no Sacro Concílio Ecumênico do Vaticano insistentemente renovado as suas solicitações e desejos, o Santíssimo Senhor Nosso Papa Pio IX, consternado pela recentíssima e funesta situação das coisas, para confiar a si mesmo e os fiéis ao potentíssimo patrocínio do Santo Patriarca José, quis satisfazer os desejos dos Excelentíssimos Bispos e solenemente declarou-o Patrono da Igreja Católica, ordenando que a sua festa, marcada em 19 de março, seja de agora em diante celebrada com rito duplo de primeira classe, porém sem oitava, por causa da Quaresma.

Além disso, ele mesmo dispôs que tal declaração, por meio do presente Decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, fosse tornada pública neste santo dia da Imaculada Virgem Maria, Mãe de Deus e Esposa do castíssimo José.

Rejeite-se qualquer coisa em contrário.

08 de dezembro de 1870.

Cardeal Patrizi,

Prefeito da Sagrada Congregação dos Ritos, Bispo de Ostia e Velletri.


Sobre a necessidade de se recorrer ao Patrocínio de São José




QUAMQUAM PLURIES


Carta Encíclica de Sua Santidade o Papa Leão XIII
sobre a necessidade de se recorrer ao Patrocínio de São José,
junto ao da Virgem Mãe de Deus,
nas dificuldades dos tempos atuais


1. Ainda que por diversas vezes já tenhamos suplicado que se fizessem em todo o mundo orações especiais e se recomendassem vivamente a Deus os interesses da Igreja, todavia ninguém fique admirado se de novo sentimos a necessidade de inculcar o mesmo dever. Em tempos difíceis, especialmente quando o poder das trevas parece tentar de tudo em dano da cristandade, a Igreja costuma invocar humildemente a Deus, seu autor e protetor, com novo fervor e maior perseverança, bem como solicitar a mediação dos santos em cujo patrocínio tem mais confiança de encontrar socorro, em primeiro lugar a bem-aventurada Virgem Mãe de Deus, bem sabendo que os frutos desta piedosa oração e desta esperança cedo ou tarde aparecerão. Agora bem notais, Veneráveis Irmãos, que os tempos atuais não são menos difíceis do que aquele que a Igreja teve que enfrentar no passado. Vemos, de fato, vir diminuída em muitos a fé, que é o princípio de todas as virtudes cristãs, esfriar-se a caridade e as novas gerações degradar-se nas ideias e na conduta. Vemos a luta que de toda parte se faz à Igreja de Cristo com violenta perfídia; a guerra atroz contra o papado e as tentativas sempre mais declaradas de se derrubar os próprios fundamentos da religião. Até que ponto tenham chegado e quanto ainda estejam tramando os inimigos, é tão claro e evidente que se torna inútil gastar palavras.


2. Em uma situação tão difícil e angustiante, na qual os males superam em muito os remédios humanos, não nos resta outra coisa senão recorrer à potência divina. Por esta razão, julgamos oportuno estimular o povo cristão a pedir o socorro de Deus onipotente com renovado fervor e inabalável confiança. Aproxima-se o mês de outubro, por Nós já consagrado à Virgem do Rosário. De todo o coração vos pedimos que ele seja celebrado, este ano, com a maior devoção, piedade e participação possível. Sabemos poder encontrar na materna bondade da Virgem um pronto refúgio em todos os nossos males, e estamos certos de que não serão vãs as nossas esperanças junto a ela. Se no passado nos foi propícia em toda necessidade, por que não haveria de renovar os exemplos do seu poder e da sua graça também no presente, se soubermos invocá-la juntos, com oração humilde e perseverante? Nós, antes, estamos certos de que tanto mais nos assistirá, quanto mais longamente quer ser por nós invocada. Mas esta é uma outra iniciativa que Nós propomos e à qual , Veneráveis Irmãos, prestareis, como sempre, a vossa diligente colaboração. Para fazer com que Deus seja mais favorável às nossas orações, e para que – entre tantos intercessores que podem ser invocados – derrame mais pronta e copiosamente auxílio à sua Igreja, cremos muito útil que o povo cristão habitue-se a rogar com devoção e confiança, juntamente com a Virgem Mãe de Deus, também o seu castíssimo esposo São José. E temos bons motivos para crer que isto será particularmente agradável à Virgem Santa. Sobre este tema que pela primeira vez nos propomos a tratar publicamente, sabemos que a devoção popular é não só propensa por natureza, mas também já está bastante avançada. E, de fato, vimos um grande progresso no culto a São José, anteriormente promovido pelo zelo dos Sumos Pontífices, depois estendido a todo o mundo, especialmente quando Pio IX, Nosso Predecessor de feliz memória, a pedido de muitíssimos bispos, declarou o Santo Patriarca, Patrono da Igreja Universal. Todavia, por ser muito importante que o seu culto penetre profundamente nas instituições católicas e nos costumes, queremos que o povo cristão receba da Nossa própria voz e autoridade todo o incentivo possível.


3. As razões pelas quais São José deve ser tido como Patrono da Igreja – e a Igreja por sua vez espera muitíssimo da Sua especial proteção – residem sobretudo no fato que ele é esposo de Maria e pai putativo de Jesus Cristo. Daqui derivam toda a sua grandeza, graça, santidade e glória. Sabemos que a dignidade da Mãe de Deus é altíssima e que não pode haver uma maior. Mas dado que entre a beatíssima Mãe de Deus e São José existe um verdadeiro vínculo matrimonial, é também certo que São José, mais que qualquer outro, se aproximou daquela altíssima dignidade que faz da Mãe de Deus a criatura mais excelsa. De fato, o matrimônio constitui por si mesmo a forma mais nobre de sociedade e de amizade, e traz consigo a comunhão dos bens. Portanto, se Deus deu José como esposo a Maria, deu-o não só como companheiro de sua vida, testemunha de sua virgindade e tutor da sua pureza, mas também como participante – por força do vínculo conjugal – da excelsa dignidade da qual ela foi adornada. Além disso, ele eleva-se entre todos em dignidade também porque, por vontade de Deus, foi guarda e, na opinião de todos, pai do Filho de Deus. Em consequência, o Verbo de Deus foi humildemente submisso a José, obedeceu-lhe e prestou-lhe a honra e o respeito que o filho deve ao seu pai. Ora, desta dupla dignidade derivaram espontaneamente os deveres que a natureza impõe aos pais de família; assim, pois, São José foi guarda legítimo e natural da Santa Família, e ao mesmo tempo seu chefe e defensor, exercendo estes ofícios até o fim de sua vida. Foi ele, de fato, que guardou com sumo amor e contínua vigilância a sua esposa e o Filho divino; foi ele que proveu o seu sustento com o trabalho; ele que os afastou do perigo a que os expunha o ódio de um rei, levando-o a salvo para fora da pátria, e nos desconfortos das viagens e nas dificuldades do exílio foi de Jesus e Maria companheiro inseparável, socorro e conforto. Pois bem: a Sagrada Família, que José governou com autoridade de pai, era o berço da Igreja nascente. A Virgem Santíssima, de fato, enquanto Mãe de Jesus, é também mãe de todos os cristãos, por Ela gerados em meio às dores do Redentor no Calvário. E Jesus é, de alguma maneira, como o primogênito dos cristãos, que por adoção e pela redenção lhe são irmãos. Disto deriva que São José considera como confiada a Ele próprio a multidão dos cristãos que formam a Igreja, ou seja, a inumerável família dispersa pelo mundo, sobre a qual Ele, como esposo de Maria e pai putativo de Jesus, tem uma autoridade semelhante a de um pai. É, portanto, justo e digno de São José, que assim como ele guardou no seu tempo a família de Nazaré, também agora guarde e defenda com seu patrocínio a Igreja de Deus.


4. Tudo isto, Veneráveis Irmãos, encontra apoio – como bem o sabeis – no ensinamento de não poucos Padres da Igreja. De acordo nisto com a Sagrada Liturgia, eles entreviram no antigo José, filho do patriarca Jacó, a pessoa e a vocação do nosso [José]; e no esplendor que daquele emanava, viram simbolizada a grandeza e a glória do Guarda da Sagrada Família. De fato, além de terem ambos recebido – não sem significado – o mesmo nome, existe entre eles muitas outras e claras semelhanças, a Vós bem conhecidas. Em primeiro lugar, o antigo José ganhou para si a benevolência de seu senhor de um modo todo singular; e depois conseguiu, graças ao seu zelo, que chovesse do céu toda a prosperidade e bênçãos sobre o seu patrão, de quem dirigiu a casa. E mais: por vontade do rei governou com plenos poderes todo o reino, e quando a carestia se tornou calamidade pública, foi ele quem alimentou os egípcios e os povos vizinhos com exemplar sagacidade, a ponto de ser merecidamente chamado pelo faraó de “salvador do mundo”. Assim, no antigo patriarca é fácil de se ver a figura do nosso [José]. Como a antigo José foi a bênção para a casa de seu patrão e para todo o reino, assim o nosso José foi predestinado a guardar a cristandade e deve ser tido como defensor da Igreja, que efetivamente é a Casa do Senhor e o reino de Deus na terra. Todos os cristãos, por isso, de quaisquer condições e estado, têm bons motivos para se confiarem e se abandonarem à amorosa proteção de São José. Nele, os pais de família encontram o mais alto exemplo de paterna vigilância e providência; os cônjuges, o exemplo mais perfeito de amor, concórdia e fidelidade conjugal; os consagrados a Deus, o modelo e protetor da castidade virginal. Volvendo o olhar à imagem de José, aprendam os nobres a conservar a sua dignidade também na desventura; os ricos descubram quais são os bens que na verdade é necessário buscar e guardar zelosamente. E enfim, os pobres, os operários e todos aqueles que pouco tiveram da sorte, têm um motivo a mais – e todo especial – de recorrer a José e de tomá-lo como exemplo: Ele, embora sendo de descendência régia, desposado com a mais excelsa entre as mulheres, e ter sido considerado como o pai do Filho de Deus, passou todavia sua vida no trabalho, provendo o necessário para si e para os seus, com a fadiga e a habilidade de suas mãos. Entretanto, é bom refletir que não é verdade que a condição dos pobres seja degradante. O trabalho do operário, longe de ser desonroso, torna-se fonte de nobreza quando associado à virtude. José, contente do seu trabalho e do pouco que possuía, viveu com coragem e nobreza as angústias da vida, seguindo nisto o exemplo de Jesus, que embora sendo Senhor de tudo, fez-se servo de todos e não desdenhou abraçar voluntariamente a pobreza.


5. Estas considerações devem elevar o ânimo de quem é pobre e ganha o pão com seu trabalho, e fazê-lo raciocinar retamente. De fato, se é verdade que a justiça consente em poder libertar-se da pobreza e alcançar uma posição melhor, também é verdade que a ninguém é permitido, nem à razão, nem à justiça, subverter a ordem estabelecida por Deus. Antes, recorrer nestes casos à violência e tentar o caminho da sublevação e dos tumultos é uma escolha desesperada, que na maioria das vezes agrava os próprios males que se queria aliviar. Querendo, portanto, agir com prudência, os proletários não confiem tanto nas promessas dos violentos, mas antes no exemplo e no patrocínio de São José, e na caridade materna da Igreja, que a cada dia mais se preocupa pela sua situação.


6. Portanto, Veneráveis Irmãos, enquanto Nós esperamos muito da vossa autoridade e do vosso zelo de Pastores, e estamos certos de que as pessoas boas e piedosas farão ainda mais do que estamos solicitando, decretamos que por todo o mês de outubro se acrescente à recitação do Rosário – por Nós já prescrita em outra ocasião – a oração a São José que recebeis junto com esta Carta Encíclica, e que isto se repita todos os anos, perpetuamente. Àqueles que devotamente recitarem esta oração, concedemos cada vez a indulgência de sete anos e outras tantas quarentenas. É também útil e louvável que se consagre, como já se fez em muitos lugares, o mês de março ao Santo Patriarca, com exercícios diários de piedade em sua honra. Onde isto não for possível, faça-se ao menos antes da sua festa, no lugar principal, um tríduo preparatório de orações. Recomendamos, além disso, aos fiéis daquelas nações nas quais o dia 19 de março, consagrado a São José, não esteja incluído entre as festas de preceito, que não deixem por quanto possível, de santificá-lo ao menos em particular, em honra do celeste Patrono, como um dia festivo.


7. Entretanto, Veneráveis Irmãos, como penhor de graças do céu e na Nossa benevolência, de todo o coração dispensamos no Senhor a Bênção Apostólica a Vós, ao Clero e aos vossos fiéis.


Dado em Roma, junto de São Pedro, no dia 15 de agosto de 1889, décimo segundo ano do Nosso Pontificado.


LEO PP. XIII


Oração a São José


    A vós, São José, recorremos em nossa tribulação e, tendo implorado o auxílio de vossa santíssima esposa, cheios de confiança solicitamos também o vosso patrocínio.


    Por esse laço sagrado de caridade que vos uniu à Virgem Imaculada Mãe de Deus, e pelo amor paternal que tivestes ao Menino Jesus, ardentemente vos suplicamos que lanceis um olhar benigno sobre a herança que Jesus Cristo conquistou com o seu sangue, e nos socorrais em nossas necessidades com o vosso auxílio e poder.


    Protegei, ó guarda providente da Divina Família, o povo eleito de Jesus Cristo.


    Afastai para longe de nós, ó pai amantíssimo, a peste do erro e do vício.


    Assisti-nos do alto do céu, ó nosso fortíssimo sustentáculo, na luta contra o poder das trevas, e assim como outrora salvastes da morte a vida ameaçada do Menino Jesus, assim também defendei agora a Santa Igreja de Deus das ciladas do Inimigo e de toda adversidade.


    Amparai a cada um de nós com o vosso constante patrocínio, a fim de que, a vosso exemplo e sustentados com o vosso auxílio, possamos viver virtuosamente, morrer piedosamente e obter no céu a eterna bem-aventurança.


    Amém.

São José, o esposo de Maria!

 



"A partir desse momento, José e Maria pertenciam definitivamente um ao outro. Estavam unidos diante de Deus e diante dos homens"


Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo (Mt 1, 16)


O evangelho de São Mateus nos diz que José, depois da aparição do Anjo, fez o que lhe tinha sido prescrito: recebeu Maria em sua casa. O que provavelmente quer dizer que, enquanto estiveram unidos apenas pelos esponsais, o costume ainda não lhe concedia o direito de admiti-la em sua casa; e que, portanto, ambos se apressaram  a ratificar pela cerimônia do casamento a união que tinham contraído.

Quaresma com São José

 


Como tempo especial de conversão e discernimento da nossa vida cristã, a Quaresma nos lembra a cada dia, seja na liturgia e seja nos exercícios espirituais que nos são propostos, a contemplação do mistério da Cruz de Jesus Cristo.


O Diretório para liturgia e a piedade popular, afirma que os fiéis, “contemplando o Salvador crucificado, entendem mais facilmente o significado da imensa dor injusta que Jesus, o Santo e Inocente, padeceu pela salvação do homem, e compreendem, desse modo, o valor do seu amor solidário e a eficácia do seu sacrifício redentor” (n. 127).

O homem justo - o esposo

 



O HOMEM JUSTO - O ESPOSO


17. No decorrer da sua vida, que foi uma peregrinação na fé, José, como Maria, permaneceu fiel até ao fim ao chamamento de Deus. A vida de Maria foi o cumprimento até às últimas consequências daquele primeiro fiat (faça-se) pronunciado no momento da Anunciação; ao passo que José - como já foi dito - não proferiu palavra alguma, aquando da sua «anunciação»: «fez como o anjo do Senhor lhe ordenara» (Mt 1, 24). E este primeiro «fez» tornou-se o princípio da «caminhada de José». Ao longo desta caminhada, os Evangelhos não registram palavra alguma que ele tenha dito. Mas esse silêncio de José tem uma especial eloquência: graças a tal atitude, pode captar-se perfeitamente a verdade contida no juízo que dele nos dá o Evangelho: o «justo» (Mt 1, 19).


É necessário saber ler bem esta verdade, porque nela está contido um dos mais importantes testemunhos acerca do homem e da sua vocação. No decurso das gerações a Igreja lê, de maneira cada vez mais atenta e mais cônscia este testemunho, como que tirando do tesouro desta insigne figura «coisas novas e coisas velhas» (Mt 13, 52).

As ferramentas de São José

 





Trabalho. Oração. Golpe de martelo. Serragem que cai no chão e que será recolhida com cuidado no final do dia. O carpinteiro trabalha com atenção. É “um homem comum, em quem Deus confiou para realizar coisas grandes” (É Cristo que passa, 40). Coisas grandes que acontecem ocultamente. Pequenas coisas que se tornam grandes, ao ritmo do cinzel e da serra.


“Em Nazaré, José devia ser um dos poucos artesãos, se não o único. Possivelmente, carpinteiro. Mas, como costuma acontecer nas pequenas povoações, também devia ser capaz de fazer outras coisas: pôr em andamento um moinho que não funcionava, ou consertar antes do inverno as fendas de um teto. José devia tirar muita gente de dificuldades, com um trabalho bem acabado. Seu trabalho profissional era uma ocupação orientada para o serviço, tinha em vista tornar mais grata a vida das outras famílias da aldeia; e far-se-ia acompanhar de um sorriso, de uma palavra amável, de um comentário dito como que de passagem, mas que devolve a fé e a alegria a quem está prestes a perdê-las” (É Cristo que passa, 51).

Quaresma com São José

 



A Quaresma é aquele tempo especial na liturgia da Igreja que precede e preparanos para a celebração anual da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Por isso mesmo, é tempo oportuno e especial para a escuta da Palavra de Deus e para atender ao seu chamado à conversão através da oração, do jejum e da esmola (cf. Mt. 6, 1-6. 16-18).

Pai trabalhador

 



Um aspecto que caracteriza São José – e tem sido evidenciado desde os dias da primeira encíclica social, a Rerum novarum de Leão XIII – é a sua relação com o trabalho. São José era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua família. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o pão fruto do próprio trabalho.

O silêncio e a contemplação do mistério

 


São Lucas apresenta a Virgem Maria como "desposada com um homem chamado José, da Casa de David" (Lc 1, 27). Porém, é o evangelista Mateus que oferece o melhor destaque ao pai putativo de Jesus, ressaltando que, através dele, o Menino estava legalmente inserido na descendência davídica e assim realizava as Escrituras, em que o Messias era profetizado como "filho de David". Contudo, o papel de José não pode certamente reduzir-se a este aspecto legal.


Ele é modelo do homem "justo" (Mt 1, 19), que em perfeita sintonia com a sua esposa acolhe o Filho de Deus que se fez homem e vela sobre o seu crescimento humano. Por isso, nos dias que precedem o Natal, é mais oportuno do que nunca estabelecer uma espécie de colóquio espiritual com São José, para que ele nos ajude a viver em plenitude este grande mistério da fé.


O amado Papa João Paulo II, que era muito devoto de São José, deixou-nos uma admirável meditação a ele dedicada, na Exortação Apostólica Redemptoris custos, "Guardião do Redentor". Entre os numerosos aspectos que salienta, dedica uma evidência particular ao silêncio de São José.


O seu silêncio é permeado de contemplação do mistério de Deus, em atitude de total disponibilidade à vontade divina. Em síntese, o silêncio de São José não manifesta um vazio interior mas, ao contrário, a plenitude de fé que ele traz no coração, e que orienta todos os seus pensamentos e todas as suas ações. Um silêncio graças ao qual José, em uníssono com Maria, conserva a Palavra de Deus, conhecida através das Sagradas Escrituras, comparando-a continuamente com os acontecimentos da vida de Jesus; um silêncio impregnado de oração constante, de oração de bênção do Senhor, de adoração da sua santa vontade e de confiança sem reservas na sua providência. Não se exagera, se se pensa que precisamente do "pai" José, Jesus adquiriu no plano humano aquela vigorosa interioridade, que é o pressuposto da justiça autêntica, da "justiça superior", que um dia Ele ensinará aos seus discípulos (cf. Mt 5, 20).


Deixemo-nos "contagiar" pelo silêncio de São José! Temos tanta necessidade disto, num mundo muitas vezes demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento, nem a escuta da voz de Deus.


Cultivemos o recolhimento interior, para acolher e conservar Jesus na nossa vida.



Bento XVI, Angelus, 18 de dezembro de 2005.

O depositário do mistério de Deus

 


4. Quando Maria, pouco tempo depois da Anunciação, se dirigiu a casa de Zacarias para visitar Isabel sua parente, ouviu, precisamente quando a saudava, as palavras pronunciadas pela mesma Isabel, «cheia do Espírito Santo» (cf. Lc 1, 41). Para além das palavras que se relacionavam com a saudação do anjo na Anunciação, Isabel disse: «Feliz daquela que acreditou que teriam cumprimento as coisas que Ihe foram ditas da parte do Senhor» (Lc 1, 45). Estas palavras constituíram o pensamento-guia da Encíclica Redemptoris Mater, com a qual tive a intenção de aprofundar o ensinamento do Concílio Vaticano II, quando afirma: «A Bem-aventurada Virgem Maria avançou no caminho da fé e conservou fielmente a união com seu Filho até à Cruz», (Const. dogm. sobre a Igreja Lumen gentium, n. 58) «indo adiante» (n. 63) de todos aqueles que, pela via da fé, seguem Cristo.

O silêncio de São José e a Quaresma

 



São José orienta-nos a viver intensamente a Quaresma - tempo que a Igreja nos propõe uma mudança de vida


É fato e notório a todos os cristãos, sejam católicos ou não, que os Evangelhos sinóticos são Cristocêntricos, isto é, foram escritos com o objetivo de a anunciar a vinda, morte e ressurreição de Jesus. Por esta razão, tudo mais que ocorre ao longo destes textos sagrados ficam em “segundo plano”, são relatos que acrescentam as ações de Nosso Senhor, mas não as sobrepõem. Isto se nota, por exemplo, quando São João Batista diz: “Importa que Ele (Jesus) cresça e que eu diminua” (Jo 3,30). Neste sentido vê-se que há um silêncio total de São José. Não há um versículo sequer em que ele diz uma palavra.


Ora, o que se pode aprender de um homem que nada fala?

Oração à Sagrada Face de Cristo (Santa Teresa de Lisieux)

 


Ó Face adorável do meu Jesus, beleza sem igual, que arrebatastes o meu coração... transformai-me à vossa imagem e semelhança, de modo que, contemplando Vós a minha pobre alma, acheis nela o retrato da vossa... Por vosso amor resigno-me a viver na terra, privada da doçura do vosso olhar... renuncio também às vossas divinas caricias... uma só coisa Vós peço, que me abraseis no vosso divino amor, para que ele me consuma rapidamente e me faça aparecer diante de Vós. Amém.


Ó pequeno Menino Jesus, meu único tesouro, abandono-me aos vossos divinos caprichos, não quero outra alegria, senão a de Vós fazer sorrir. Concedei-me as vossas graças e as vossas infantis virtudes, afim de que, no dia de meu nascimento para o Céu, os Anjos e os Santos me reconheçam como vossa pequena esposa. Amém.